resiliência, que assim seja

fonte: Ferlini Salles Visual

“Enquanto a população mundial parece preparada para crescer dos 7 bilhões de hoje para quase 9 bilhões até 2040 e o número de consumidores de classe média aumentar em 3 bilhões nos próximos 20 anos, a demanda por recursos crescerá exponencialmente.”

A afirmação contida na reportagem da agência Reuters, assinada por Nina Chestney e publicada no UOL em 30 de janeiro de 2012, faz referência ao panorama traçado pelo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), Resilient People, Resilient Planet: A future worth choosing publicado também em 30 de janeiro de 2012.

Diante da amplitude do termo sustentabilidade, as diversas frentes de atuação abordadas pelo relatório da ONU que podem significar uma escolha realmente valiosa para o futuro só se concretizam com educação de qualidade.

Não é preciso divagar demais para justificar esta afirmação, 3 bilhões de pessoas entrando na classe média em 20 anos representam um boom de consumo que faz babar o mais pessimista dos vendedores.

Ora, guardando as devidas medidas de comparação, as negociações para reduzir a emissão de carbono pelos países mais poluidores suscitaram uma discussão interessante, ainda que questionável, por parte dos países emergentes que se negam a pagar a conta presente e futura de um dano que teoricamente teria sido gerado pelos países ricos ao longo de anos de produção e consumo desenfreados. Convença agora emergentes das Classes D, E e F de que seu poder de consumo recém conquistado deve ser moderado para que o Mundo seja sustentável para todos.

Vai lá.

Não há meios democráticos de conscientização social que não passem por educação de qualidade.

E venhamos e convenhamos os BRICS estão longe demais de um patamar minimamente aceitável de educação, o que então dizer de um convívio social saudável?

A discussão é questionável porque todo mundo vai pagar a conta no futuro, daí a obviedade da responsabilidade compartilhada, no entanto, a população carente de educação não sabe planejar o futuro.

Para muitos que sequer têm a certeza de que chegarão ao futuro não progamá-lo chega a ser até justificável, não acham?

O Jornal Nacional, em 30 de janeiro de 2012, mostrou que “mais brasileiro não conseguem pagar prestações de carros em 2011“, e estão lá parte deste 3 bilhões de consumidores que vão engordar a classe média e que “são brasileiros que pela primeira vez conseguiram comprar um carro. E é na falta de informação que mora o perigo. As despesas com um veículo vão muito além da prestação. Há gastos como combustível, IPVA, manutenção, pedágio, seguro. Pode ficar difícil pagar a dívida.”

E vai falar para o sujeito que não usufrui de transporte público decente que o carro que ele está comprando contribui para o aquecimento global, vai.

Ah, cara pálida, quer dizer então que as Classes D, E e F é que são o maior problema?

Não, meu caro, e aí está o verdadeiro enrosco.

Está vendo a foto que ilustra este artigo? Tirei-a na semana passada quando fui ao cinema com meu filho.

Nada, nada coloque aí um ingresso de quinze reais por pessoa, você vai com filho e esposa e são mais trinta, some-se a isto uns vinte reais de pipoca e refrigerantes, estacionamento e estamos falando de uns cinquenta ou sessenta reais para um programa de duas horas. Ah, e no meio da tarde, o que só é possível para quem está de férias, folga ou não trabalha, ou seja, não é um programa que chega a ser trivial.

Pois bem, a foto foi feita no final da sessão, reparem na quantidade de lixo pelo chão e na quantidade de copos de refrigerantes abandonados nos assentos.

Dá para entender onde quero chegar?

Talvez por isso a resiliência do planeta e da população esteja no título do relatório da ONU, porque provavelmente será necessária adaptação às mudanças que não ocorrerão como deveriam.

Que assim seja.

E vamos que vamos.

Feliz Dois Mil e 12

fonte

Todos finais e inícios de anos são momentos de reflexão, retrospectivas e ensaios futurológicos.

Dois mil e onze foi o ano em que o Brasil assumiu a sexta posição entre as maiores economias do Mundo, superando o Reino Unido.

Em dois mil e doze teremos oportunidade de assistir aos jogos olímpicos de Londres, lá pelos lados da sétima economia do Mundo, e teremos oportunidade de ver como “os mais pobres” organizam um evento esportivo internacional de tal envergadura.

Em janeiro de 2011 contabilizávamos as mortes na região serrana do Rio de Janeiro (atualizando os dados da rede das enchentes).

Em janeiro de 2012 continuamos a rezar para que as autoridades divinas tenham piedade dos moradores de áreas sujeitas a desastres associados a chuvas e enchentes, visto que as “divindades” terrenas pouco ou nada fizeram para amenizar o sofrimento passado e futuro do contribuinte.

O privilégio de novos contatos com velhos políticos retornará em 2012 com as eleições municipais, um excelente momento para revermos boleiros e artistas aposentados, participantes de reality shows e mulheres-frutas desfilando pelas emissoras televisivas e radiofônicas, momento de revermos políticos da velha-guarda propondo renovação e reformas que “certamente” acontecerão, quem sabe, a partir de 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018…

Dois mil e doze devolverá ao Brasil o título de “País do Futebol”, ao menos até a próxima final de clubes no Japão.

Em 2012 haverá mais uma tentativa de se realizar o ENEM no País em que “151 municípios reprovam 20% ou mais das crianças no 1. ano“.

Em 2012 Belo Monte será construída e, quem sabe, teremos trem-bala, Transamazônica, ampliação de aeroportos, reformas tributária, financeira e trabalhista e estádios para a Copa do Mundo.

A corrupção diminuirá com a faxina ministerial, o processo do mensalão será julgado a tempo, a violência urbana será reduzida com novas políticas públicas de segurança e daremos passos largos para exterminar a impunidade.

A cultura ambiental já arraigada no dia-a-dia do brasileiro, que já começou o ano muito mais consciente (O lado B do réveillon de Copacabana), trará frutos com empresas e empresários mais responsáveis, com investigação e remediação espontâneas de passivos ambientais, com tratamento adequado de resíduos, com maior comprometimento técnico de consultores.

Pessoas, dois mil e doze promete muitas novidades.

Só espero que a felicidade de todos vocês continue a mesma e que haja a mudança que houver o ano de todos seja maravilhoso.

Que venha o carnaval.

E vamos que vamos.

a média e a dispersão; ou Tiririca, vivendo e aprendendo

fonte

Parafraseando Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”.

E não conheço nada que seja unânime hoje. Nada. Bom, muito bom, sinal de opiniões divergentes que se expressam em tom democrático.

Mas, unanimidade não deixa de ser extremo, aqueles extremos com os quais não concordo.

Ontem, quarta-feira dia 07 de dezembro de 2011, após denúncia foi encontrado em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, um cão que foi enterrado vivo por seu próprio dono e ficou sob a terra por doze horas. O imbecil que enterrou o cachorro é um extremo. Está lá no Estadão.

Cachorrinho que foi enterrado pouco menos de cinco meses após Anders Behring Breivik cometer atentado que matou 77 pessoas na Noruega. O “militante de extrema-direita” Breivik não é um solitário em suas loucuras, ao que parece ele “recebe cartas de amor, de indivíduos que querem salvá-lo e de gente que o odeia, informou nesta quinta-feira, 8, o canal norueguês TV2″. Outro extremo que também está lá no Estadão.

Mas, são extremos, portanto, analisemos a média.

Segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa, média é o “valor definido como uma grandeza equidistante dos extremos de outras grandezas”.

Beleza, mas, é exatamente aí que reside o problema.

Sendo a média um valor baixo, hão de concordar que o extremo de excelência tem seu patamar reduzido, a não ser que a dispersão ou o desvio padrão sejam altos demais.

Exemplo fácil para quase todo mundo, a qualidade do futebol em geral está em um nível médio muito baixo, mas, Messi e Neymar estão muito distantes desta média, ou seja, o desvio ou a dispersão são altos neste caso. O que isso reflete no esporte? Ora, assistir a um jogo de futebol é em geral uma chatice, a não ser quando Messi ou Neymar estão em campo.

E o Brasil está deixando de ser o País no futebol, ao menos na prática ao contrário do discurso.

A produção científica nacional cresceu muito nos últimos anos, a média cresceu muito em qualidade e não são raros os exemplos de pesquisadores brasileiros fazendo sucesso no exterior, muitas vezes mais sucesso do que fazem no Brasil, afinal, a média de incentivo e de estrutura dos centros de pesquisa nacionais continuam abaixo das médias internacionais.

Na área ambiental nem é preciso ir longe demais para ilustrar a existência de extremos, artistas detonam Belo Monte, estudantes defendem Belo Monte, difícil é saber se, na média, alguns dos dois extremos sabe ao menos onde será instalada a Usina.

O grande enrosco nesta história toda é que a média está baixando, não importa a área.

Talvez seja a superficialidade das informações na Era da Informática, talvez seja a velocidade de informações impossíveis de serem captadas a olhos nus, talvez seja o volume absurdo de informações na Era da Internet impossível de serem vasculhadas a fundo além da superfície com a qual são tratadas, maqueadas e modificadas de um dia para o outro.

O fato é que a “generalização” distancia os extremos, aumenta a dispersão e reduz o valor absoluto das médias.

Difícil?

Pois bem, vamos a mais um exemplo prático.

Em outubro de 2010 escrevi “sobre Tiririca e este mundinho abstrato em que vivemos” e lá eu descrevi algumas características pessoais, dentre elas “meu otimismo nato”, segundo o qual “acredito que a natureza tem seu poder infinito de regeneração, só não sei se teremos espaço nesta natureza regenerada que ora estamos insistentemente tentando aniquilar”.

Lá eu citei uma afirmação de Dora Kramer, de que “há uma diferença entre aqueles cujo negócio é a política e os que transformam a política num bom negócio. Estes é que passaram a dar as cartas” [no Congresso]. Dora se referia à média baixa do Congresso e a Tiririca, aquele que “aluga sua ignorância para espertalhões que se valem da estupidez de milhares que, se achando espertos, são feitos de bobos”.

E eis que meu otimismo é recompensado, Tiririca acaba de elevar a média do Congresso Nacional, prova de que a regeneração natural é possível.

Hoje, quinta-feira, 8 de dezembro de 2011, pela primeira vez desde que tomou posse como deputado federal, cargo para o qual foi eleito com mais de 1 milhão de votos, Tiririca discursou longamente na Câmara em uma audiência pública convocada “por ele para debater a concessão de alvarás a circos”.

Vocês se lembram o que disse o Tiririca na campanha eleitoral?

Aqui ele dizia, dentro outras coisas:

“- O que é que faz um Deputado Federal?

 - Na realidade eu não sei.

- Mas vote em mim que eu te conto

 - Vote no Tiririca, pior que tá não fica.”

E, segundo a matéria intitulada “Com piadas, Tiririca preside audiência pública pela 1a vez na Câmara“, assinada por Maurício Savarese do UOL, o deputado teria dito em seu pronunciamento ao Congresso: “Eu realmente sei o que um deputado faz. Trabalha muito e produz pouco. O regime da Casa é engessado. Dentro do regime é complicado. Hoje estou dando baile, aprendendo para caramba. Mas foi mais difícil”.

Tiririca aprendeu relativamente rápido o que um deputado faz, contribuiu para reduzir a dispersão e mantém a média em um nível bem baixinho.

“morar neste país é como ter a mãe na zona”

fonte

Escrever neste blog e publicar fotos no Ferlini Salles Visual são para mim um grande barato, verdadeira descontração.

Não escrevo qualquer coisa que vem à cabeça porque primo pela qualidade e porque respeito quem está lendo.

Daí vem o principal motivo pelo qual muitas vezes fico longos períodos sem aparecer por aqui, não quero tornar o ato de escrever um lamento e tampouco deixar tediosa a leitura deste blog e então, para não extravasar  o repúdio por fatos diários e corriqueiros, prefiro calar-me até recuperar o fôlego.

Agora que “tá” difícil aceitar algumas coisas, isso “tá”.

Este País está careta demais, e não é de hoje, lá em 1989 o Roger do Ultraje a Rigor já dizia:

“Morar nesse país
É como ter a mãe na zona
Você sabe que ela não presta
E ainda assim adora essa gatona…

…Cês me desculpem o palavrão
Eu bem que tentei evitar
Mas não achei outra definição
Que pudesse explicar
Com tanta clareza
Aquilo tudo que a gente sente
A terra é uma beleza
O que estraga é essa gente…”

Ficar  muito tempo sem escrever tem suas vantagens e desvantagens, há muito assunto a colocar em dia, mas, é difícil saber por onde começar.

Começo pelo fato mais recente.

Ontem minha esposa levou nosso filho mais novo para tomar uma vacina. Na fila de espera para pagar o estacionamento, dentro do hospital hein, uma mulher que estava à sua frente desmaiou. Neste momento um médico passava pelo local, desviou da mulher estendida no chão e dirigiu-se ao elevador. A acompanhante da mulher apelou por ajuda e foi atendida pelo segurança do hospital, que acionou a emergência. Ao chegar rapidamente ao local um enfermeiro atendeu a paciente e ouviu a queixa dos que presenciaram toda a cena e dignou-se a procurar o médico do início desta história. Para surpresa de todos, o médico retornou ao local e, em pé, com o estetoscópio enrolado no pescoço e de braços para traz iniciou uma curta conversa com a paciente deitada no chão, limitando-se a perguntar o que ela sentia.

Pessoas, estamos falando de um médico do Hospital Albert Einstein.

E o problema não está no hospital, um dos melhores do País, o problema está na pessoa.

Assim como o problema não está no SUS, está nas pessoas que nele trabalham, que o gerenciam, que o utilizam.

Só se pensa em si.

O grande problema deste País é a falta de educação, não é a primeira vez que falo disso por aqui.

E não estou falando em ensino de matemática, língua portuguesa e geografia, que são fundamentais, estou falando de formação moral, ética, caráter, respeito, civilidade, patriotismo.

Sempre achei o tal do Rafinha Bastos um imbecil, aliás, corrijo-me, não o conheço pessoalmente, sempre achei o seu humor imbecil e, o que deve ser mais impactante e importante para um humorista, considero-o sem graça.

Por isso não o assisto como já não o assistia.

Daí a concordar com a maneira como foi conduzida a sua história dentro do programa CQC da Rede Bandeirantes é outra história.

Só que há um problema muito mais sério do que minha concordância ou não com o fato. Eu sou partidário de que nenhuma forma de expressão deve ser censurada, que o espectador é o melhor termômetro para medir a qualidade do que lhe é apresentado, mas, para isso, a qualificação tem que ser dada principalmente ao espectador.

E isso, meus caros, leva muito tempo.

Se começássemos hoje educando corretamente as crianças destes País, mesmo ignorando o fato de que a convivência familiar é fundamental na formação do indivíduo e que boa parte dos familiares não possui educação adequada, quanto tempo levaria para esta nova geração assumir uma posição atuante a ponto de iniciar uma mudança significativa na qualidade social, 20, 30, 40 anos?

Se começássemos hoje!

O País do futuro tem carência de presente.

Eu tenho opiniões bem peculiares em relação a este assunto.

Tenho um grande amigo torcedor fanático pelo Corinthians com quem invariavelmente converso sobre futebol. Insisto em dizer-lhe que não me conformo com o fato de alguém com o mínimo de discernimento cegamente sofrer  por futebol hoje em dia. Não ignoro a paixão pelos clubes,tampouco a importância do esporte na cultura nacional,  tal afirmação não se atrela a qualquer clube, relaciona-se exclusivamente ao modelo de negócio em si, não estou falando de futebol amador, que é outra coisa.

Vai um exemplo, há pessoas muito influentes no futebol que são contra a adoção de tecnologia para auxiliar a arbitragem porque o erro faz parte da modalidade.

O erro faz parte do futebol?

Esqueça o futebol tupiniquim por um momento, pense em futebol como uma referência esportiva ou cultural para qualquer nação. Pense que crianças e adultos adoram futebol e o acompanham com grande devoção.

Agora lembre que a França se classificou para a Copa de 2010 com um gol irregular de Thierry Henry contra a Irlanda, que ficou de fora da Copa (falei sobre isso lá em 2009). O jogador francês ajeitou propositadamente a bola com a mão no ato do gol. O juiz não anulou o lance, contudo, todas as câmeras presentes no estádio flagraram o lance, o que não foi suficiente para reparar o dano. Ah, vão me dizer, seja mais relaxado, futebol não é coisa para ser levada tão a sério. Eu concordo, mas, vai dizer isso ao empresário do jogador que não foi à Copa para ter a chance de ser valorizado, vai dizer isso à federação irlandesa que vendeu menos camisas da seleção, vai dizer isso aos patrocinadores que tiveram seu nome ligado ao ato irregular francês, vai.

Esquecendo o lado financeiro, pensando na influência educacional e cultural eu vos pergunto, qual referência preferem levar desta situação? A de que roubar é válido ou a de que ser roubado é aceito? A da vantagem a qualquer preço ou a da impunidade?

Entender ou não porque alguém sofre por uma coisa dessas é o menor dos problemas, o maior deles é que este esporte é referência nacional e reflete muito bem a sociedade em que vivemos.

Reflexo que está por todos os lados.

Não é expurgando rafinhas que se melhora a qualidade da programação televisiva, não é agredindo árbitros que se melhora a justiça no futebol, não é com lei anti-homofobia que se acaba com o preconceito, não é impondo ao motorista a obrigação de parar sobre a faixa de pedestres que se cria um motorista mais consciente, não é com proibição que se educa.

Premissa democrática é que todos possam expressar suas opiniões cientes de que são responsáveis pelo que falam.

Premissa democrática é de que todos possam conviver civilizadamente, respeitando-se as diferenças e as liberdades alheias.

Mas, meus caros, isto só se consegue com educação e não por decreto.

Enquanto a briga for por quota racial na universidade ao invés de um ensino básico de melhor qualidade que conceda a qualquer raça o direito de acesso ao ensino superior, enquanto a briga for por espaço para fumar maconha em detrimento da segurança dentro da Universidade, enquanto homossexuais forem tratados como uma nova espécie animal e não como serem humanos que têm direito às suas opções sexuais a coisa não vai melhorar.

Medidas de emergência são necessárias diante de todo desequilíbrio criado, é evidente que para ensinar a pescar há de se manter o pretenso pescador vivo.

Acontece que a lição não se aplica e nem se aprende em um ano, quiçá em uma década, ou será um século?

Até lá, infelizmente, boa parte da população será intimamente identificada com a música de 22 anos atrás:

“…A terra é uma beleza

O que estraga é essa gente

Filha da puta

É tudo filho da puta.”

tempo perdido

fonte: digitalart

Se tem fator que tem tudo a ver com remediação de áreas contaminadas, este é o tempo.

No artigo anterior a este, “como o golpe dos falsos fiscais da CETESB poderia ou pode ser evitado“, a imagem que o ilustrou trazia uma reprodução de um falso comunicado da CETESB utilizado por estelionatários.

Pois bem, repare que o falso documento concede ao suposto infrator um prazo de 15 dias para adequação “às condições mínimas ambientais”.

O que são “condições mínimas ambientais” não importa, o que chama a atenção é exatamente o prazo exigido pelo falso agente ambiental, curto demais.

Evidente que o prazo era uma invenção, mas, seria tão destoante dos absurdos vistos por aí?

No II CIMAS (já escrevi algo sobre o Congresso aqui), um representante da CETESB foi questionado sobre os 180 dias estabelecidos na Decisão de Diretoria no. 103/2007/C/E como “prazo máximo para remoção da fase livre…a partir da constatação de sua presença”. Este prazo poderia tornar a prática insustentável, questão levantada em meio à discussão sobre práticas sustentáveis de remediação.

O representante do órgão ambiental disse que a CETESB tem sido tolerante com empresas que se mostram ativas no processo de remediação e que o prazo foi definido como imposição ao empresariado que nada fazia para recuperação dos passivos ambientais de sua responsabilidade.

Há formas interessantes de se trabalhar com o tempo, que pode ser aliado ou inimigo daqueles que trabalham com gestão de áreas contaminadas.

Em 6 de outubro de 2011 o jornal O Estado de São Paulo veiculou uma entrevista com a empresária Yara Baumgart, mulher de Roberto Baumgart, acionista do Shopping Center Norte, intitulada ‘fechar o Shopping foi uma irresponsabilidade‘ e assinada por Paulo Sampaio.

Em meio a alguma baboseiras técnicas, a empresária afirmou que “essa história [possibilidade de interdição do Shopping Center Norte] rola há mais de dois anos, nós sabíamos do problema. Na ocasião, contratamos uma empresa…, indicada pela própria Cetesb para fazer o que era preciso. Acontece que essa empresa nos enrolou durante todo esse tempo. Há algumas semanas, providenciamos outra, uma multinacional…, muito mais eficiente. Tanto que vai resolver em dez dias o que disse que faria em 20.”

Pela gravidade do que afirmou, o que disse a empresária deve ser apurado pelas autoridades, mas, não é esse o tema deste artigo, até por isso suprimi o nome das empresas citadas na entrevista.

Em tempo, quero lembrar que, de acordo com informações veiculadas nos jornais, centenas de empresas podem ter caído no golpe dos falsos fiscais da CETESB.

Uno esta informação relevante ao que disse a empresária Yara Baumgart para algumas considerações importantes.

Esqueçam a questão criminal por um instante, pensem que ao caírem no golpe dos falsários algumas empresas que podem possuir passivos ambientais perderam tempo e deixaram de atuar efetivamente no seu tratamento.

Enrolados ou não pela empresa que contrataram, a empresária e seus sócios sabiam do problema há pelo menos dois anos, tempo em que pouco foi feito para solução do passivo ambiental.

Contudo, a solução definitiva do caso de contaminação está longe dos dez ou vinte dias citados na entrevista.

Há muito mais sob o piso do Shopping Center Norte e a zona saturada do aquífero do que julga a vã filosofia dos envolvidos.

A gestão de áreas contaminadas reflete uma situação tipicamente brasileira, apoiada no verde-esperança que se esvai com as florestas nacionais.

O Brasil continua a ser o País do futuro que teima em não chegar, se a direção está correta, a velocidade é que está lenta, tal qual a da água subterrânea.

Espera-se que a água migre a seu tempo e desperdiçam-se ambos, água e tempo, esperando que o futuro traga as soluções.

Ah, não há com o que se preocupar, vamos que vamos e ao contrário da água contaminada, o tempo não tão limpo se salva na composição de Renato Russo:

“Não tenho mais

O tempo que passou

Mas tenho muito tempo

Temos todo o tempo do mundo…”

como o golpe dos falsos fiscais da CETESB poderia ou pode ser evitado

fonte

Ensaiei inciar este artigo apenas como uma crítica, mas, percebi com o desenrolar do raciocínio que este texto pode até ter alguma utilidade pública.

Todos devem ter lido sobre a prisão, nesta segunda-feira (24/10/2011), de uma quadrilha cujos integrantes se passavam por fiscais da CETESB para extorquir dinheiro de empresários.

Pois bem, as notícias veiculadas na imprensa sobre o caso revelam características sintomáticas do mercado ambiental sobre as quais venho discorrendo insistentemente neste blog.

Esqueçamos o estelionato em si, interessa-me analisar o caso pelo lado da vítima, como consegue se tornar um alvo para este tipo de golpe e, principalmente, como muitas vezes a vítima não é só vítima.

Vamos lá, começando do básico, a notícia veiculada pelo Estadão.com.br com o título “Presa quadrilha que aplicava golpes em nome da Cetesb” dá conta de que alguns integrantes da quadrilha se faziam passar por técnicos da CETESB e o bando “se apresentava a vários estabelecimentos no entorno do Shopping Center Norte para entregar uma notificação falsa da Cetesb, na qual constava que o empreendimento tinha sido considerado contaminado pela agência ambiental”. Um exemplo desta “notificação” ilustra este artigo.

A quadrilha utilizava uma empresa de fachada chamada Rasperfure e com esta “tentava vender o serviço de investigação da área”.

Ontem eu tive a curiosidade de procurar a página da tal empresa Rasperfure, hoje ela já não está mais no ar, mas, a empresa Rasperfure Sondagens e Monitoramento Ambiental dizia em português mal escrito ser especializada em sondagens.

Daí retiro dois detalhes importantes, sondagens e poços de monitoramento são ferramentas muito importantes para investigação de áreas contaminadas, mas, não são as únicas tarefas envolvidas em um processo de investigação.

Vamos a um esclarecimento, há empresas de sondagens competentíssimas no mercado ambiental e uma de suas características é a de não realizar trabalhos completos de investigação ambiental, o que também ocorre com laboratórios de análises químicas, empresas especializadas em coleta de amostras e por aí vamos.

O principal motivo para isso não é a falta de competência, há empresas de sondagens, por exemplo, capitaneadas por excelentes geólogos e profissionais experientes neste negócio de áreas contaminadas, mas, lembrem-se de duas coisas, primeiro que estas empresas prestam serviços para empresas de consultoria e realizar trabalhos completos as deixaria em concorrência com atuais, futuros e potenciais clientes; segundo que sondagens, análises químicas e amostragens são atividades técnicas muito especializadas e que requerem um tempo de dedicação enorme, o que faz destas empresas diferenciadas exatamente por suas competências específicas.

Não tenho dúvidas de que já falei sobre isso em algum artigo deste blog, mas, selecionar criteriosamente a empresa consultora em gestão ambiental é o primeiro passo na tentativa de solucionar o problema.

Coisa que me chama a atenção sempre é a falta de critério com a qual as empresas contratam serviços e consultoria, ora, escrevi brevemente acima que a página da empresa Rasperfure era escrito em mau português e isto já deveria ser motivo para seleção de qualquer contratação, mas, este problema transcende o mercado ambiental.

Agora, por favor, leiam este trecho da matéria assinada por Márcio Pinho e veiculada no Estadão.com.br com o título “Golpistas ‘vendiam’ laudo falso da Cetesb“: ”O grupo, disfarçado com o logo da Cetesb, informava a indústrias, transportadoras e postos de gasolina que o solo do estabelecimento estava contaminado e que, dessa forma, teriam de pagar uma multa. Nessa hora, os supostos fiscais abriam brecha para o suposto suborno e cobravam propinas – em alguns casos, de R$ 70 mil – para evitar a autuação.”

Ressalva, as matérias que eu li não informam se houve efetivamente pagamento de propina, no entanto, esta etapa do golpe tenta se aproveitar de um dos maiores vilões do mercado ambiental (e vilão não apenas deste mercado), o jeitinho, e faz da vítima uma co-autora do delito.

Propina não é opção em gestão.

Não discuto questões religiosas, tenho cá comigo minhas convicções e as guardo bem guardadas para mim, então, tecnicamente falando lá vai um alerta para quem não quer cair em golpes como esse, de estelionatários ou não:

Em gestão de áreas contaminadas, não há milagres, ou se faz benfeito ou então é melhor nem fazer.

E vamos que vamos.

Prêmio Top Blog 2011 – Top 100

fonte: nuchylee

Caros leitores, muito obrigado, vocês colocaram este blog pelo segundo ano seguido entre os Top 100 do Prêmio Top Blog na categoria Sustentabilidade.

O segundo turno das votações já começou, o ícone para votação está aí ao lado ou clique aqui.

Mais uma vez, obrigado pela companhia.

E vamos que vamos.

risco, gestão e sustentabilidade, não necessariamente nesta ordem

fonte

O caso de contaminação na zona norte da cidade de São Paulo expõe uma situação interessante, para não dizer crítica, ou trágica, ou algo mais drástico, que revela bem o quão complicado pode ser a gestão de uma área contaminada. Isto não tem manual que ensine.

Os três pilares da sustentabilidade aparecem com nitidez e interferem direta e indiretamente na tomada de decisões, o que por vezes provoca a sensação de que há vários pesos e várias medidas.

É assim mesmo que deve ser, cada caso é único e merece atenção individual.

Não há como avaliar corretamente o caso baseando-se em notícias veiculadas na imprensa, nem é essa a intenção, o negócio aqui é indicar o que mais salta aos olhos.

Vamos lá, o jornal Bom Dia Brasil veiculou hoje pela manhã a matéria “SP: moradores que vivem em cima de antigo lixão evitam desocupação“, na qual cerca de 700 famílias residentes no Conjunto Habitacional Cingapura recusam-se a deixar suas casas como previu decisão judicial.

A matéria para a qual foi inserido o atalho no parágrafo anterior traz o vídeo da reportagem e quase em seu final (4 min 55 s) a apresentadora Renata Vasconcellos conclui: “Pois é, Flávia, mas chegou-se a uma situação limite, né? Imagina não poderia ter dado uma licença para construir seja um shopping center, seja um conjunto habitacional, prédios residenciais… Agora imagina, Chico Pinheiro, isso a um ano das eleições municipais, ter que remover 3 mil pessoas.”

Reparem que o comentário de Renata Vasconcellos revela o primeiro grande enrosco para a gestão de uma área contaminada, parte-se em geral de uma ação não planejada ou mal planejada, ora, se todas as questões pertinentes a fatores econômicos, sociais e ambientais tivessem sido consideradas antes da implantação do conjunto residencial o cenário agora seria bem mais brando.

Mas, não é, mesmo porque se fosse não causaria tanto impacto, ainda mais “a um ano das eleições municipais”.

Não bastasse a sustentabilidade nas ações de gestão, o componente complicador nesta história toda se chama risco.

Daí o raciocínio passa por uma emaranhado de variáveis.

Para o Shopping Center Norte o fechamento mesmo que temporário foi suficiente para um abalo econômico considerável e de difícil quantificação, mesmo porque não se sabe por quanto tempo a imagem do empreendimento será relacionada ao caso de contaminação e o quanto isso afetará suas vendas.

Para os moradores do Cingapura, deixar suas residências acarreta uma série de incovenientes sociais que só podem ser avaliados caso-a-caso, afinal cada família possui uma rotina específica, filhos, trabalhos, necessidades.

A exaustão do metano produzido em subsuperfície não soluciona o problema da contaminação que sequer é conhecido em sua totalidade, havendo a necessidade de extensão dos estudos que demandam longo tempo para conclusão.

Está bem, mas, e o risco?

Ora, risco é probabilidade, o dicionário Houaiss da língua portuguesa assim define o termo: “s.m. 1 probabilidade de perigo, ger. com ameaça física para o homem e/ou para o meio ambiente <r. de vida> <r. de infecção> <r. de contaminação>”.

“Não tem vazamento de gás, nunca ninguém sentiu cheiro de gás. Isso é um absurdo. Eu tenho de trabalhar e deixo meu nenê na creche. Ele não vai poder mais ficar na creche?”, protesta a vendedora Viviane Bianchini. “Eu me considero seguro morando aqui, lógico. Eu sempre morei aqui, minha vida em São Paulo sempre foi aqui. Não vejo insegurança nem risco aqui”, disse o vendedor José dos Santos.”

Difícil decisão, não?

“Na decisão [de retirada imediata dos moradores do conjunto habitacional], o juiz diz que, apesar de o risco potencial de explosão também ter sido constatado no conjunto habitacional, estranhamente a prefeitura não interditou os prédios nem a creche.”

Em que pesem todo apoio social às famílias vítimas desta situação, o ressarcimento financeiro dos afetados quer sejam do shopping, do Cingapura ou do bairro, a completa recuperação ambiental da área atingida, o fato que é a decisão deve considerar o risco inerente ao tipo de contaminação existente na área o que, neste caso, rege a conduta para uma medida sustentável.

Medidas que mantenham qualquer indivíduo sob risco, mesmo que mínimo, são críticas em sua essência.

Funcionam se risco potencial não se efetivar, mas, esta é uma questão matemática.

O problema é que vidas não são números.

Em tempo, ao finalizar este artigo vi divulgada na Folha On Line a notícia informando que a “justiça suspende remoção de moradores do Cingapura“, assinada por Ricardo Gallo.

II CIMAS e algumas perguntas que não querem calar

fonte

O II Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo começou e acabou na semana passada, entre o dias 4 e 6 de outubro, colocou mais um tijolinho para se consolidar como o mais importante evento sobre o tema no País e reuniu muita gente boa interessada e especializada nos assuntos de solo e água subterrânea.

E parte desta gente boa se encontrou em debates muito interessantes.

A regulamentação da Lei Estadual 13.577, aquela que “dispõe sobre diretrizes e procedimentos para a proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas” esquentou o primeiro dia do Congresso e o debate revelou algumas divergências conceituais.

Representante do Ministério Público do Estado de São Paulo, o promotor José Eduardo Ismael Lutti, citou a Constituição Federal e a Lei Federal no. 6.938 de 1981 para respaldar sua opinião de que considera ilegal a remediação de áreas contaminadas para uso declarado, como prevê a lei estadual paulista. Disse ainda que um de seus objetivos como promotor é mudar a forma de pensar da CETESB sobre este assunto.

Para aqueles que frequentam o blog, mas, não são especialistas no assunto cabe um esclarecimento, a Lei 13.577 prevê que “Área Remediada para o Uso Declarado” é “área, terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria anteriormente contaminada que, depois de submetida à remediação, tem restabelecido o nível de risco aceitável à saúde humana, considerado o uso declarado“, ou seja, o uso da área condiciona o nível de remediação a ser atingido, não sendo necessário restabelecer a condição natural do terreno, e o nível da remediação é definido por avaliação de riscos toxicológicos.

Na opinião do promotor, não se pode deliberadamente restringir o uso de uma área, que deve ter sua qualidade preservada e restaurada em plenitude.

O representante da CETESB no debate, doutor Rodrigo Cunha, chegou a dizer que a posição do promotor o obrigaria a rasgar seu doutorado, que trata sobre avaliação de risco.

Já o doutor Elton Gloeden, gerente do departamento de áreas contaminadas da CETESB, questionado sobre este tema quando debatia sobre “restrições de uso de solo e água subterrânea” disse que remediar uma área até atingir suas condições naturais de antes do impacto é muito caro, muitas vezes tecnicamente inviável e essa conduta comprometeria a gestão de áreas contaminadas no País, inclusive deixando consultores sem trabalho.

E ele está correto nestas afirmações.

Resta saber como será o desfecho do imbróglio entre Ministério Público e CETESB revelado no Congresso, uma vez que as medidas adotadas para remediação de áreas impactadas devem ser propostas e conduzidas pelos responsáveis de tais áreas, obrigando-se a atender todas as instâncias legais que, ao menos neste caso citado, parecem divergentes.

Enquanto isso, vamos que vamos.

ovos com bacon

fonte

É natural, basta um caso como o do Shopping Center Norte estourar na mídia para que a curiosidade sobre o assunto seja aguçada.

Daí quem nunca se interessou passa a se interessar.

Nestes últimos dias já me perguntaram algumas vezes “quando é que o Shopping vai explodir?”

O tema nem é tão complicado assim, em resumo o Shopping foi construído sobre área onde eram depositados resíduos (aparentemente lixo doméstico), há matéria-orgânica em decomposição que produz metano, um gás incolor e altamente inflamável que pode se acumular em espaços confinados (por exemplo galerias subterrâneas, caixas de luz, porões…) e PODE ocasionar explosões.

Daí a explodir é outra história.

É bacana discutir o assunto com os interessados, difícil deve ser discutir e estar “sentado sobre o problema”.

O jornal Diário de São Paulo estampa em sua página na internet a matéria assinada por Regiane Soares Von Atzingen intitulada “Center Norte faz campanha para melhorar imagem entre clientes“.

Curioso é ler sobre a opinião daqueles diretamente envolvidos no problema:

“Eu acredito que estão exagerando. Não é isso tudo o que estão falando. Nós queremos mostrar aos nossos clientes que está tudo normal”, disse ao Jornal a gerente Elda Gomes, de 31 anos.

Segundo as manicures Liliane Reis, de 32 anos, e Aline Jesus Santos, de 20 anos, “essa história é uma verdadeira palhaçada. Só atrapalha o movimento no salão”.

E nem só os lojistas entoam o mesmo otimismo, para o empresário Márcio Thomaz, de 63 anos, que segundo o Jornal foi ao Shopping com a família almoçar, fazer compras e passear, ”toda essa área da Zona Norte foi construída em cima de lixões. Se corremos risco aqui no shopping, também corremos em outras áreas”, afirmou o empresário.

Então, pessoas, se vai explodir ou não, não dá para dizer, o senhor Márcio Thomaz até tem razão, o risco está também em outras áreas, só não entendo que segurança esta constatação lhe traz, mas, isto também é outra história.

Digamos assim, este negócio de trabalhar em um Shopping construído sobre um lixão é como comer ovos com bacon pela manhã.

É legal, é gostoso, é bacana, mas, você o faz sabendo que um dia tuas veias podem entupir.

É só um risco, não necessariamente elas entupirão, mas, o risco está lá, firme e forte.

O senhor Márcio tem razão, tem mais pessoas comendo ovos com bacon pelas manhãs, elas também correm riscos. E? Que alívio isto me traz?

Então eu lembro de uma conversa que tive com meu sogro.

“E aí sogrão, como vai o coração, a coluna, a visão, a respiração e tudo mais?”

“Ah, rapaz, tá tudo uma maravilha, cem por cento.”

“Que bom, e quando você foi ao médico?”

“Nunca fui.”

E dá-lhe ovos com bacon.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 92 other followers