lei 13.577 e o mercado ambiental

Volto a dois dos temas mais debatidos nas altas rodas ambientais, a lei 13.577 e o mercado ambiental, mais especificamente a influência ou expectativas de influência do primeiro tema sobre o segundo.

Nesta semana que passou acompanhei este blog apenas como moderador e não como autor, o bom motivo foi o volume de trabalhos e de encontros mais que frutíferos.

Mares menos revoltos.

E destes encontros puxei os dois temas que intitulam o post.

Reparem, renovo a cada dia o otimismo por uma cenário cada vez melhor no mercado ambiental e não me refiro apenas à recuperação pós-crise, refiro-me às mudanças de postura que parecem cada vez mais presentes nas mentes dos stakeholders deste negócio meio ambiente. Sem ilusões, são posturas presentes, contudo pontuais.

Exemplifico.

Conversei com diversas pessoas nesta semana e dentre elas com executivos de três empresas líderes de seus mercados, não necessariamente o ambiental.

Os executivos de uma empresa atuante no mercado ambiental já disseram perceber reflexos da lei 13.577 no aumento da demanda por trabalhos técnicos de melhor qualidade em diagnóstico e remediação.

Será?

Ainda acho cedo para avaliar, mas, espero que estejam certos nesta percepção.

A ausência, ainda, de uma lista definitiva de áreas impactadas (como prevê a lei) e a definição do formato do fundo de prevenção de áreas impactadas, bem como o formato de seu uso, deixam a lei de certa forma nebulosa.

Não vejo a lista de áreas como um grande propulsor de serviços, uma vez que as áreas listadas possivelmente já estarão na mira do órgão ambiental e com processos em andamento, a vejo sim como propulsora de mercado, afinal, que está na lista desejará sair e quem estiver fora não deve querer entrar, não é mesmo?

Consultores serão cobrados na mesma proporção deste aperto.

De qualquer forma é evidente que a lei só funcionará com fiscalização e cobrança, caso contrário, deve “assustar” apenas no início.

Em um segundo encontro, executivos e técnicos de outra empresa, líder no setor energético, me propiciaram uma experiência gratificante, a de apresentar a um seleto grupo de especialistas de diversas áreas (compras, suprimentos, meio ambiente, novos negócios, licenciamento, jurídico e por aí vai) as premissas, metodologias e técnicas para correta condução de trabalhos de diagnóstico e remediação de solos e águas subterrâneas.

Banal?

Não é não.

Mostra a crescente preocupação das empresas, ao menos daquelas que se preocupam minimamente com seu próprio core business, com as busca da solução adequada dos problemas ambientais.

A experiência foi mais enriquecedora no momento em que expôs em um mesmo ambiente visões distintas do mesmo negócio, a do responsável pelo meio ambiente, a do advogado, a do comprador, a do diretor executivo, enfim, congregação de ideias.

E mais, muito mais, descortina novas oportunidades quando o meio ambiente é visto como investimento e não como despesa, reparem que citei a presença de profissionais da área de novos negócios.

Ora ora, este tipo de exposição contribui muito para minimizar o poder do modelo de contratação pelo “menor preço”. Privilegia-se um modelo mais adequado de contratação, “a melhor solução pelo menor preço”.

O desfecho desta trilogia se deu com outro encontro motivante com executivos de uma empresa líder no setor agrícola.

E impressionou positivamente o conhecimento detalhado das questões ambientais demonstrado por tais profissionais.

Claro que é diferencial profissional, evidente que não são líderes por sorte ou acaso.

Possuem passivos ambientais e têm consciência dos problemas não relacionados ao seu core business.

E sequer tinham ouvido falar na lei 13.577. Desmotiva? Nada, gera expectativa.

Isto evidencia que o mercado tem espaço de sobra para assimilar a nova lei e seus potenciais benefícios.

Isto apenas e tão somente reforça o posicionamento estratégico de diferenciação que deve ser adotado pelas empresas e consultores de ponta no mercado.

Cada vez mais se dará a busca por soluções.

Cada vez mais a tendência do mercado será o estabelecimento natural de patamares de qualidade.

Ora, ninguém pode negar que este é um mercado seletivo e interessante.

Vejam, se todas as empresas fizerem um trabalho tecnicamente adequado qual a tendência do mercado ambiental de contaminação? Desaparecer.

É isso mesmo, fazendo direito acabaremos com os passivos ambientais. Restarão então trabalhos emergenciais.

Trágico?

Claro que não, motivador.

Obrigará a renovação de empresas e profissionais.

Partiremos (aliás, quem ainda não partiu que acorde) em um novo rumo, novas tecnologias, minimização na geração de resíduos. Nova era.

Por outro lado, se os trabalhos continuarem sendo feitos com a qualidade sofrível que se apresentam na grande média do mercado, então teremos passivos recorrentes.

Detalhe, com verbas já gastas. Aí sim o cenário é trágico.

Ah, mas estes e muitos outros fabulosos empresários mostram que o caminho pode ser menos acidentado.

estatísticas do blog: 4 meses e mais de 2.000 visitas

 

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Ora ora ora, quase ia deixando passar em branco um momento muito importante para este blog e para este que vos escreve.

Na sexta-feira 13, olha que sorte, treze de novembro de 2009 o blog atingiu a marca de 2.000 visitas.

O que posso mais dizer sobre isso? Muito obrigado.

Publico hoje, segunda-feira 16 de novembro, já com 2.029 visitas, média geral de 16 visitas por dia em 4 meses de vida.

E isso tudo só se justifica com críticas, comentários, participações, mais e mais visitas.

Obrigado novamente a todos os leitores.

Vamos que vamos.

na cozinha ou no meio ambiente

ingredients for salad.

É muito interessante observar a forma e a velocidade com as quais evolui essa tal humanidade.

Os ingredientes destas mudanças são mais que intrigantes na medida em que se mostram previsíveis e até mesmo conservadores. Por que não dizer tradicionais?

Tudo parece mudar na velocidade da informação e é evidente um mundo pouco preparado para assimilar e conviver com tantas novidades, diversidades e modernidades.

Conveniente lembrar que “novo” e “melhor” também não são sinônimos.

Sob o título “o avesso do glamour” a matéria da revista Veja – edição 2138 – apresenta bastidores da prestigiada escola de gastronomia Le Cordon Bleu, em entrevista do chef francês Patrick Terrien à repórter Renata Betti.

E a entrevista começa assim (negritos por minha conta): “Um problema da gastronomia moderna é a quantidade de jovens cheios de autoestima que, nem bem se formam, já se acham preparados para ter um restaurante próprio – quando não estão. Duas décadas atrás, isso acontecia por volta dos 40 anos. Hoje, é mais comum aos 20, idade em que eles são movidos pela ideia, quase sempre equivocada, de que têm em si algo de genial. Na realidade, falta-lhes técnica, que só vai sendo aprimorada mesmo no exercício da profissão. Alguns desses jovens até ganham sobrevida porque conseguem disfarçar sua mediocridade sob o rótulo de cuisine d’auteur – uma cozinha autoral, em que a criatividade do chef pode conferir originalidade aos pratos. No caso desses novatos, porém, o gênero costuma se traduzir apenas numa tentativa frustrada de substituir conhecimento técnico por intuição. Isso não funciona na cozinha.”

Não funciona na cozinha e tende ao fracasso em qualquer outra área, inclusive na área ambiental.

Dias atrás conversava sobre o mercado e as empresas de meio ambiente. A “marolinha” pegou muitas em cheio e muitos profissionais foram demitidos.

Na esteira desta onda, ops, marola, a conversa que ouvi mais de uma vez foi a de que jovens profissionais receosos por seus empregos pensavam em criar suas próprias empresas, afastando assim a possibilidade de demissão. Carregam a ilusão de que os empresários enriquecem enquanto eles trabalham. Ora, provavelmente ignoram as razões que levaram suas empresas a recorrer a cortes de custos com demissões. Provavelmente buscam a sobrevida, buscam ilusões.

Consideram-se preparados para conduzir suas próprias cozinhas.

“Eles ambicionam o status da carreira, capaz de alçar os melhores à condição de celebridade, mas não têm ideia de que até um Alain Ducasse precisa carregar saco de farinha na cozinha e aguentar mau humor de cliente no salão”.

Lá em ambiente nada rotineiro eu escrevi algo sobre o assunto.

Mero e breve consolo é saber que as mazelas de mercados imaturos como o de meio ambiente assemelham-se às de mercados mais que consagrados, como o gastronômico; francês ainda por cima.

“É inegável que os avanços tecnológicos recentes permitiram mudanças – para melhor – na cozinha… A culinária passou também a se valer de conhecimentos científicos, como a química, base para a tão inventiva cozinha molecular. O lado ruim dessa história é o deslumbramento de alguns chefs com tais descobertas. O uso excessivo delas, afinal, tem efeito exatamente oposto ao desejado: o gosto da comida fica artificial. Além disso, uma alta concentração de substâncias químicas pode até comprometer a saúde, como já foi demonstrado cientificamente. Sem dúvida, a criatividade é, por princípio, bem-vinda na cozinha. Mas todo bom chef deve ser inteligente o suficiente para conseguir inovar na medida do razoável.”

Ora ora. Antigamente disposição de resíduos perigosos em solo virgem era tecnologia de ponta autorizada por órgão ambiental e tudo mais. Hoje são passivos ambientais.

O mundo gira.

Também na Veja – edição 2138, a matéria de Ronaldo França, “ambiente ainda enfumaçado” começa assim: “Para andar de automóvel, alimentar-se, ir ao cinema, realizar as tarefas rotineiras da vida, a humanidade lança no ar 49 bilhões de toneladas de gás carbônico por ano. A quantidade de fumaça aumenta a cada dia, na razão direta da busca das nações por desenvolvimento. Novas estradas, fábricas e automóveis criam riqueza, mas aceleram enormemente as emissões.”

Dá para entender a relação?

Não?

O fenômeno climático que se quer combater é pouco conhecido, mas as consequências econômicas e sociais de limitar o crescimento são bem conhecidas e trágicas. Daí a resistência dos países em anunciar metas claras de redução das emissões de CO2.

O que ser quer afinal?

Crescimento? Preservação ambiental? Crescimento com preservação?

Objetivam-se melhores pratos ou o objetivo é tão somente a sensação de pilotar a própria cozinha?

Carlos Minc aparece neste quesito com algo ao menos coerente. ”Basicamente, defende uma redução de emissões de gases de efeito estufa de 40%, tomando como referência as emissões brasileiras em 2005. A contenção do desmatamento é só metade disso. O restante viria de diversas outras ações envolvendo eficiência no uso de energia, novas técnicas agrícolas, substituição de fontes energéticas, por exemplo. Minc considerou um crescimento do produto interno brasileiro (conjunto de riquezas produzidas pelo país) de 4% ao ano na próxima década. Caso essas metas não sejam alcançadas, muda-se a estratégia para chegar a elas. O país se compromete, portanto, com o resultado.”

Pode-se até contestar a qualidade da proposta, mas, no mínimo ela trata de metas, de comprometimento, de resultados e ao menos conceitualmente alia preservação a desenvolvimento.

O que os diplomatas querem é que esta segunda metade da proposta brasileira se restrinja a um plano de ações sem compromisso com resultados. Se nem tudo sair como o esperado, paciência“.

Propostinha sem sal.

Reparem, acontece com o tema do aquecimento global, com diagnóstico, remediação, tratamento de resíduos, de efluentes, enfim, acontece até em Le Cordon Bleu.

O tema pode ser indigesto, mas, com ordem na cozinha o resultado deve ser muito saboroso.

temos mais um roteiro técnico na praça

White loop

A notícia está na página da CETESB, a diretoria do órgão ambiental aprovou em reunião realizada no dia 20 de outubro o “roteiro para execução de investigação detalhada e elaboração de plano de intervenção em postos e sistemas retalhistas de combustíveis“.

Sobre o conteúdo do roteiro não vou comentar nada agora, assim como o manual de gerenciamento de áreas contaminadas este também pode ser útil, muita gente boa participou de sua elaboração, boa parte da equipe técnica tem competência no assunto, enfim, não deixa de ser mais uma forma de padronização dos trabalhos, mas, deve ter sua validade.

Deve ter ou pode ter, mas, só se forem avaliados, criticados, fiscalizados e reprovados trabalhos de má qualidade técnica.

A coisa já é séria.

Quer ver só, vamos a mais uma história de bastidores.

Participamos de uma licitação aberta pela prefeitura de uma cidade do interior de São Paulo para diagnóstico ambiental de um lixão em fase de encerramento.

O escopo principal do trabalho era caracterização hidrogeológica, para quem não é da área, é trabalho de hidroGEÓLOGO. As vezes sou tão óbvio (lembram de pluralismo profissional?).

Pois bem, mais duas empresas na peleja.

E rapaz, antes mesmo de serem abertas as propostas comerciais entraram com recurso contra nós dizendo que não tínhamos capacidade técnica para realizar o trabalho.

Qual é mesmo a onomatopeia para aquele travamento do windows? Pode ser assim, “pã”?

Pois bem, alegaram que geólogo não pode trabalhar com hidrogeologia e tampouco relatórios ambientais.

Pã.

Está bem, recurso é para isso mesmo, cada qual no seu direito, então, entramos com defesa e contra-ataque.

A defesa foi mais que óbvia, como vocês já devem imaginar, para os leitores deste blog explicação tão básica não se aplica.

O contra-ataque é que foi interessante.

A empresa que interpelou o recurso não apresentou atestados técnicos, pior, os apresentou em nome de pessoa física, de um dos sócios, obviamente não geólogo.

Detalhe, a empresa não tem um ano de idade sequer, além de serem em nome de pessoas físicas, os dois atestados apresentados tinham datas anteriores à fundação da empresa.

Pã.

Ah, em tempo, a terceira empresa não apresentou documento qualificatório para o pregão presencial e por isso foi eliminada imediatamente pela comissão.

Voltando ao nosso mercadinho de peixes.

Pasmem.

Ajeitem-se na cadeira que é boa.

Diante de nossos argumentos apresentados em recurso a comissão resolveu qualificar as três empresas para o pregão, visto que a desqualificação das outras duas nos deixaria sozinhos na disputa.

Pã pã pã.

Reparem bem, antes que venham as pedras, reparem muito bem na gravidade do caso.

A leitura imediata e clara é que solução ambiental definitivamente não é que o se procurou neste processo licitatório. Já virou moda, hein.

Nas entrelinhas vejo uma prática perigosa e degradante promovendo a criação de um mercado medíocre e incapacitado de resolver as questões ambientais que se apresentam.

Este assunto é recorrente no meio ambiental e de especial interesse nas áreas técnicas correlatas.

Vai explicar a quem trabalha com construção civil, por exemplo, que o mercado ambiental é esta zona que se apresenta, opa, perdoe-me pela má colocação, até a zona é melhor organizada.

Ilusão zero, não busco perfeição alguma, prédios caem por incompetência técnica, pacientes padecem nas mãos de médicos chalartães, advogado picareta parece nascer em árvore, enfim, mesmo as profissões mais consagradas e maduras sofrem com problemas desta natureza.

Meu intuito não é outro senão validar um modelo de mercado maduro que estabelece regras claras de participação das empresas e de profissionais, que pode sofrer com a fiscalização insuficiente (nem por incompetência, mas, também por carência de número suficiente de profissionais), mas, que se alicerça em organização empresarial decente, em níveis saudáveis de competitividade, em respeito à opinião pública e em responsabilidade profissional como regra e não como exceção.

Os objetivos do mercado e daqueles nele inseridos devem ser bem definidos e esclarecidos.

Do jeito que está parece que qualquer um é capaz de oferecer solução ambiental com qualidade mínima exigível. Balela.

Manuais e roteiros se prestaram a pasteurizar o mercado, mas, de longe não são os únicos causadores deste espetáculo de baixo nível que povoa o mercado e que exatamente nos trabalhos em postos de combustíveis, por coincidência ou não, têm seus maiores expoentes de incompetência.

É incrível, o mercado matando o mercado. Suicídio. Imbecilidade.

O assunto é recorrente (paternalismo empresarial).

O roteiro técnico é que até parece novo.

papel da avaliação de riscos na revitalização de áreas impactadas

vista aérea de SP

Dentre os resultados percebidos para trabalhos de diagnóstico e remediação a revitalização de uma área impactada é sem dúvida um dos mais nobres.

O nome é auto-explicativo (em inglês estamos falando de brownfields), trata-se da recuperação de uma área impactada até condições aceitáveis para uso definido.

E este é o ponto importante a ser frisado, uso definido.

Àqueles não habituados ao assunto saibam que remediar ou recuperar uma área não é sinônimo de deixar a “área limpa”. Aliás, para determinados tipos de contaminação deixar a área limpa é praticamente impossível.

A notícia chega a causar tristeza, eu sei, mas, em geral área contaminada não volta mais às condições originais, salvo em raras exceções.

Mas, isto também não quer dizer que a área está condenada ao desuso.

Daí a ferramenta da avaliação de riscos é importante, entendem? Não? Este termo também é novo?

Resumindo, risco toxicológico precisa de três fatores para existir, contaminante, rota de exposição e receptor. Se um destes fatores não estiver presente então não há risco associado ao cenário avaliado.

Agora exemplificando, chumbo (contaminante) que chega dissolvido na água até o poço de uma casa (rota de exposição) e é bebido por uma criança (receptor). Este cenário configura risco (se aceitável ou não é outra história). Entendido?

A partir de então as possibilidades são diversas, o quanto há de contaminantes, qual a velocidade da água, qual a profundidade do poço, qual a idade e qual o biotipo do receptor, aspectos hidrogeológicos e geológicos e isto vai longe.

A relação de todas estas variáveis vai resultar em um valor de risco, calculado através de modelos matemáticos.

Então fica fácil fácil, é “só remediar” até que as concentrações de contaminantes atinjam valores em que o risco seja aceitável e controlado. Mole, não é mesmo?

Outra opção é controlar a rota de exposição, proibir o consumo da água do poço, por exemplo.

A terceira opção deve ser inviável, ainda não vi cogitarem eliminar o receptor, mas, não duvido de nada. Posso parecer insistente, e sou, mas, já imaginaram esta ferramenta nas mãos de quem não sabe usá-la?

Ôh Flávio, assim como Lex Luthor da consultoria ambiental?

Ah, voltando ao eixo.

E voltando ao positivismo.

O uso pretendido para a área impactada é o início para avaliar os riscos e determinar qual o nível de remediação a alcançar. Conhecer o uso é fundamental para determinar as tais variáveis matemáticas, para calcular as metas de remediação e definir as tecnologias que tornam possível atingir tais metas.

Já perceberam o ganho? Se algum de vocês mora em algum lugar com grande disponibilidade de espaço pode não ter percebido, agora tente achar um terreninho vago na foto que ilustra este post. Áreas não aproveitadas valem muito nestes lugares. Aproveitadas podem valer mais ainda.

Para o nosso marqueteiro ambiental, aquele que tenta vislumbrar luxo no lixo (escrevi sobre isto no final do post retorno de investimento em passivos ambientais), talvez este seja o mais simples dos alvos de uma estratégia bem elaborada de marketing para áreas impactadas.

Revitalização de área, soa muito bem.

Justifica o investimento para áreas hoje em desuso por contaminação. Justifica o investimento para retorno de valor ao imóvel. Ah, ainda tem o benefício ambiental, quase ia me esquecendo.

quando escavar é a melhor alternativa de remediação

excavator

Ainda na linha do post quando tratamento de resíduo se confunde com remediação, escavar e destinar o solo contaminado (então resíduo) pode ser a melhor alternativa de remediação definida no processo de gestão da área impactada.

Reparem, as técnicas para tratamento do solo escavado são as mesmas técnicas de tratamento de resíduos, o processo e a gestão é que configuram a remediação ex situ.

Pausa para conceitos.

On site? É a remediação feita no local contaminado, o contaminante pode ser removido do meio (água ou solo), mas, não sai da propriedade contaminada.

Off Site? O contaminante é removido e é tratado fora da propriedade contaminada.

In situ? Obrigatoriamente on site, remediação que é feita no próprio meio contaminado, sem necessidade de remoção do contaminante.

Ex situ? Remediação em que o contaminante é removido, mas, o processo de tratamento pode ser dentro ou fora da propriedade, ou seja, on site ou off site.

Entendido?

Voltemos ao eixo.

E quando escavar é a melhor alternativa de remediação?

Ah meus caros, existem muitas variáveis que influenciam nesta resposta, vou me ater a três, tempo, custo e viabilidade técnica.

“A pressa é inimiga da perfeição” (fiquei muito tempo sem escrever, perdoem-me, voltei com provérbios infames), ditado manjado e muito bem aplicado quando se fala de remediação in situ e on site de solos e águas subterrâneas. A natureza tem seu tempo e, por mais que se queira, o poder que temos de acelerar o processo de remediação in situ é limitado.

Ah, então a conclusão é simples, quando o quesito é tempo a remediação ex situ leva vantagem indubitável.

Não é tão simples e direto assim.

Evidente que se tempo é escasso e é condição sine qua non para uso ou ocupação da área a ser remediada, então a remediação ex situ pode levar vantagem, por outro lado, se há tempo disponível, remediação in situ pode ser melhor alternativa.

Pode ser? Sim, pode, porque tempo não é o único parâmetro a se avaliar.

“Tempo é dinheiro” (o provérbio é que é barato). E o custo é uma variável importante, certo?

Só que antes de falar de dinheiro vamos à questão técnica.

Escavar pode ser a melhor alternativa, quando possível.

Isso mesmo, escavar nem sempre é possível e este é o conceito mais difícil de se colocar dentro da cabeça de uma pessoa que está habituada com tratamento de resíduos e não com remediação (tratamento de resíduos ou remediação, eis a questão).

Existem verdadeiros “tatus” no mercado, escavam ou pensam que podem escavar o que tiver pela frente. Precisando ou não, é bom frisar.

Escavar água subterrânea? Sem chance.

Escavar em áreas de difícil acesso? Complicado.

O solo contaminado está em grandes profundidades? Vai exigir escoramento.

Solo “mole” (os puristas vão querer me matar, pode ser também solo com baixa compacidade ou consistência, com elevado teor de umidade e por aí vai)? Hum, tá ficando difícil.

Reparem, as técnicas de escavação para uso em áreas contaminadas são limitadas exatamente pelo cenário de contaminação, quero dizer, profundidade dos contaminantes, ocupação da área, acesso de máquinas e muito mais.

Logicamente empresas especializadas e melhor preparadas aumentam o leque de opções técnicas e tecnológicas que podem ser aplicadas em casos complicados, mas, daí retornamos ao custo.

A solução deve caber no bolso.

Ô pessoal, por isso é que a gestão é fundamental, por isso que a remediação é uma questão de gestão, para que se tomem os caminhos corretos, apropriados e viáveis.

Uma regrinha básica é a seguinte, em equilíbrio de custos e em condições tecnicamente viáveis escavar e tratar off site é geralmente melhor opção porque transfere-se o problema para fora da propriedade.

Só que aí agregam-se mais variáveis a esta equação, riscos de transporte, tecnologia de tratamento dos resíduos, garantia de destruição dos contaminantes, responsabilidades e co-responsabilidades legais, licenças ambientais e por aí vamos.

E até parece fácil, não é mesmo?

Opa, esqueci do provérbio para a variável técnica, pode ser, sei lá, “quem não tem competência não se estabelece”.

Ai ai.

quem diagnostica não pode remediar?

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Muitas empresas adotam a linha “quem diagnostica a área impactada não instala e opera a remediação”.

Faz sentido, mas, há controvérsias.

No post quando tratamento de resíduo se confunde com remediação podemos encontrar uma boa razão para esta opção contratual, e é razão ética, empresa de consultoria que só possui uma linha de tratamento, in situ ou ex situ, corre sério risco de pecar na gestão e não usar alternativas de remediação mais indicadas. Ora, se esta empresa tecnicamente limitada diagnostica a área impactada é bem possível que direcione o estudo para a linha de tratamento pré-determinada, independente da melhor alternativa. E o faz sem maldade, longe de mim pensar em algo diferente.

É mais que óbvio que o diagnóstico tem que ser imparcial para que a melhor técnica de remediação seja adotada.

Está bem, mas, daí eu pergunto, se quem diagnostica não remedia, então, onde se encaixa o projeto de remediação, no final do diagnóstico ou no início da remediação?

Na prática desta opção contratual o projeto deve entrar nas duas fases.

Simples de entender, quem diagnostica deve ter linha de raciocínio definida para gerar resultado prático do trabalho, portanto, deve ter condições de inferir melhores técnicas de remediação. Neste ponto a opção por separar empresas de diagnóstico e remediação é até interessante, afinal de contas se a empresa não poderá operar a remediação, então não deverá recear uma proposta da melhor técnica a ser adotada no futuro, certo? Que se vire a empresa de remediação para atender a qualidade exigida.

O problema é que se criou uma indústria de fabricação de diagnósticos, trabalhos sem função, com dados inconsistentes, nada conclusivos, que começam e terminam da mesma maneira, sem sentido algum.

Aí o modelo contratual de duas empresas distintas para diagnóstico e remediação ganha ponto negativo, não é incomum a empresa responsável pela remediação herdar um diagnóstico capenga e insuficiente.

Neste ponto o caminho se bifurca.

Primeiro que no modelo de contratação citado a empresa de remediação deve ter a possibilidade de complementar o diagnóstico, minimamente que seja. Aliás, é bom esclarecer, sempre haverá necessidade de complementação do diagnóstico com dados específicos para remediação, isso só pode (mesmo assim é difícil) não acontecer quando o diagnóstico for direcionado para uma técnica específica, mas, daí voltamos para a questão ética do início do post.

E pequena pausa agora para fixação de um conceito que não me canso de difundir, a primeira etapa da remediação é o diagnóstico.

Voltando, o segundo caminho nesta bifurcação nos leva a constatar que diante de diagnóstico capenga e insuficiente nada mais justo que conceder à segunda empresa a possibilidade de revisão do projeto de remediação gerado pela primeira, afinal de contas há projetos e projetos, entendem? Este é um excelente motivo para que o projeto de remediação seja incluído nas duas etapas contratuais, talvez o melhor deles.

Por fim, a constatação da existência de uma fábrica de diagnósticos reforça o que escrevo aqui com frequência até cansativa, que o mercado precisa amadurecer e avaliar melhor a qualidade dos trabalhos, empresas e consultores que povoam o mercado.

Ah, mas a argumentação que justificaria a contratação de empresas separadas também não pode estar na outra ponta, na empresa de remediação? Evidente que pode, mas, é um pouco mais complicado uma empresa se aventurar em remediação porque envolve maior estrutura física. Só que existem picaretas aí também, não fechem os olhos não.

E destas observações nasce a conclusão mais interessante para o tema do post, a opção contratual por empresas distintas para as etapas de diagnóstico e remediação só faz sentido por questões éticas e diante da incompetência da maioria das empresas, consultores e trabalhos que circulam no mercado, caso contrário não há motivos plausíveis para privar uma empresa ética e competente de executar o trabalho do início ao fim, há?

Pois bem, o modelo de contratação segregante é defensável em condições atuais de pressão e temperatura, no entanto, é passível de revisão com o amadurecimento do mercado que, mais que previsível, é necessário.

profissionais cegos, poços cegos

the blue pipes

O assunto abordado neste post é perfeitamente inteligível aos profissionais atuantes na área de contaminação de meio ambiente subterrâneo.

Como a ideia deste blog é democratizar o conhecimento, tentarei tornar o assunto palatável a todos.

E leiam o texto, a história parece até mentira, mas, não é.

Para que todos entendam vamos a um breve esclarecimento técnico.

Já disse por aqui que o meio ambiente subterrâneo não é fotografável, não dá para ver o que acontece em lá embaixo, então, para que o hidrogeólogo possa avaliar o cenário de contaminação em água subterrânea ele se utiliza de um artifício que são poços de monitoramento.

O poço de monitoramento é instalado em profundidade que ultrapassa o nível da água subterrânea (o tal lençol freático), assim, pode-se medir o fluxo da água e coletar amostras para avaliar concentrações de eventuais contaminantes.

Ora ora, tão simples quanto isso é o conceito de funcionalidade do poço, que permite monitorar com frequência as condições de contaminação, já que este cenário é dinâmico.

Simplificando, o poço é revestido com tubos parecidos com estes da foto do início do post.

Nas camadas superficiais coloca-se tubo liso (sem ranhuras), assim evita-se que haja contaminação superficial entrando no poço, por exemplo com a água de chuva.

Para que a água entre no poço e permita a coleta de amostras, nas camadas mais profundas são usados tubos com ranhuras, também chamados de filtros.

Mais fácil que isso é impossível, não é mesmo?

Daí podem acontecer alguns problemas de ordem prática, vocês sabem muito bem que a teoria nesta hora é outra.

O nível da água subterrânea varia com o tempo, ora, em períodos chuvosos o nível d’água tende a ficar mais próximo da superfície, em períodos de estiagem ele tende a ficar mais profundo.

Qual a implicação prática disso?

Filtro em baixo d’água (no jargão técnico, afogado) quando o nível d’água sobe muito ou poço seco quando baixa demais.

E obviamente estas variações comprometem os resultados do monitoramento. De poço seco não dá para coletar amostra, certo? Certo.

Problema conceituado?

Vamos à solução.

E aí é que o negócio fica legal.

Não vou discutir aqui as soluções técnicas, não é a finalidade do post, elas passam por adequado posicionamento do filtro, bom modelo hidrogeológico conceitual, posicionamento de vários níveis de poços (poços multiníveis) e por aí vai.

No entanto, existe uma casta de profissionais que vai além.

Este espasmo de solução já foi proposto em reunião privada e, pasmem, já foi apresentado em palestra de evento técnico.

Tão simples quanto o conceito que apresentei aqui, para evitar que o poço seque em período de estiagem basta instalar abaixo do filtro mais um pequeno trecho de poço sem ranhura, desta forma, se o nível da água subterrânea baixar demais, este tubo liso servirá de reservatório para amostragem.

Barbaridade.

Parece simples, até cômico, mas, é uma patifaria sem tamanho.

Eu quero evitar tecnicismos neste blog, o que posso garantir aos leitores é que estas soluções espetaculares são adotadas no mercado até por mestres no assunto, o problema é educacional mesmo, de noção, de formação, de valor e moral.

A consequência mínima para este tipo de atitude é um trabalho irreal e ineficiente.

Tratando de cenário de contaminação e potenciais riscos de exposição, tratando de solução ambiental e de recuperação de área impactada, aí então a gravidade e imensurável.

Parece mentira né?

Durmamos com este barulho.

priorização de custos ambientais

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O título deste post não é meu.

Aliás o núcleo deste post não é meu.

Recebi o texto do meu grande amigo Ewerton Gonzaga para comentários e com sua autorização para postá-lo no blog, caso eu tivesse interesse. Claro que tenho, gente competente é sempre bem-vinda neste blog.

Segue o texto (em itálico) e depois meus comentários, como não poderia deixar de ser.

“É notório que as empresas em sua composição, desde seu alto nível gerencial até suas bases operacionais estão voltadas para o resultado.

Em um mercado atual e altamente competitivo, a gestão dos custos e ampliação das receitas são as palavras de ordem.

Seja com enfoque comercial, alinhamento constante com o escopo principal da cultura organizacional, estratégias de marketing ou até mesmo a redução dos custos, são todas as formas que as Organizações tentam alcançar a ampliação dos resultados.

Após pesquisa realizada e considerando minhas percepções sobre o rol de empresas regulamentadas e fiscalizadas pelas leis ambientais, sejam empresas geradoras de resíduos ou de potenciais contaminações de água e solo, estão nítidos os baixíssimos investimentos para a prevenção e manutenção destas áreas de risco.

Observando o modelo sugestivo da estrutura de custos para empresas que faturam de 50 a 100 milhões/ano, nota-se a priorização dos custos ambientais:

  • 23% – Despesas operacionais;
  • 17% – Despesas comerciais;
  • 35% – Impostos;
  • 05% – Marketing;
  • 05% – Novos investimentos;
  • 01% – Projetos de prevenção de riscos ambientais;
  • 04% – Previsão para contingentes (multas, perdas, afins);
  • 10% – Demais

Posso concluir que as empresas estão gastando mais seus recursos em multas, e passivos ambientais desnecessários, ao contrário se investissem na prevenção e manutenção, forma esta mais viável economicamente favorecendo a ampliação de seus resultados. Para reduzir os custos ambientais, se faz necessário um estudo detalhado dos contingentes e uma observância nas áreas de potencial risco, assim como uma projeção contábil para o passivo ambiental no aspecto preventivo.

Entendo que os consultores, empresários, membros do board inseridos neste contexto, cuja possibilidade de passivo ambiental é existente, acredite no dispêndio desnecessário com a prevenção e manutenção, o que não reflete a realidade quando avaliado sua estrutura de custos.

Logo, olhar para a posição atual do Caixa, pressão concorrencial, metas de produção e faturamento, sem preocupar-se com os custos futuros, não ajudará na eliminação ou diminuição destes riscos, ao contrário, apenas estará adiando o problema.

Para o bolso e para o meio-ambiente, prevenir é melhor que remediar!

por Ewerton Costa Gonzaga”


Não sei qual foi a base de pesquisa do Ewerton, mas, considerando a distribuição da estrutura de custos apresentada em seu texto, estaríamos falando de R$ 500.000 a R$ 1.000.000 destinados anualmente pelas empresas em “projetos de prevenção de riscos ambientais” e de R$ 1.000.000 a R$ 4.000.000 previstos para contingências (multas, perdas e afins).

Um por cento ao ano? Não sei não, está parecendo mais do que realmente é investido na média. Na média. Posso e espero estar enganado.

Desconhecendo as bases de estudos consigo apenas ensaiar uma interpretação sobre o texto.

Como “prevenção de riscos ambientais”, da forma em que é expressa no texto, devem estar inclusos todos os investimentos destinados exatamente a prevenção de contingências, não somente para atendimento de demanda legal, mas, inclusive para preservação de bem estar e saúde de funcionários, de transeuntes e arredores da empresa.

Beleza, dinheiro que paga reaproveitamento de resíduos, reciclagem, otimização de processos para redução de emissões, redução de efluentes, produção mais limpa, entre outros, pode ser apropriado em “prevenção” ou também pode estar em “novos investimentos”, não é mesmo? Ora, não são novas tecnologias operacionais que trazem retorno financeiro?

Sendo assim, este 1% destinado a prevenção ambiental pode excluir as novas tecnologias operacionais?

O restante então é verba de quê? Diagnóstico? Remediação (que não necessariamente é contingência)? Tratamento de efluentes? Monitoramento ambiental?

Será?

Fugindo um pouco do purismo contábil, se dinheiro destinado a projetos de produção mais limpa ou reaproveitamento de resíduos pode ser considerado investimento por trazer retorno financeiro, por quê não o mesmo raciocínio para o dinheiro destinado a diagnóstico ambiental, uma vez que este certamente (se bem feito, é claro) provocará redução do apropriado a contingências?

E mais, reparem, novamente não sei qual a parcela ambiental destinada a contingências, mas, de qualquer forma, a apropriação para este fim é, de acordo com o estudo, 4 vezes maior do que a feita para prevenção. Ué, só comprova que prevenir é melhor que remediar, como já havia preconizado o Ewerton.

Os valores se confundem, já escrevi várias vezes a respeito, não é gasto, é investimento e blá blá blá, o certo que é que o dinheiro aplicado na prevenção ambiental vai retornar nas contas contábeis de marketing e contingências, no lucro, em novos investimentos e muito mais.

Retorna até em benefícios ao meio ambiente, vejam só.

o lucro com o aquecimento global

Dark factory

Navego pelo tema “aquecimento global” com certa cautela, até porque não há consenso sobre muito que se fala e se escreve.

A revista Exame (edição 954) traz uma matéria sobre sustentabilidade sob o título “O aquecimento está aí. E nós podemos lucrar com ele”, assinada por Ana Luiza Herzog e que apresenta uma visão pouco menos romântica sobre aquecimento global. Menos romântica por não associar o tema ao degelo ártico (eu quase comentei a matéria da BBC) ou antártico, ao nível dos oceanos ou ao sofrimento dos ursos polares.

A matéria da Exame trata mesmo é do efeito econômico do aquecimento global e de como o Brasil pode se beneficiar deste efeito.

Tá tá tá, evidente que no final das contas o que deveria importar mesmo são as consequências ambientais provocadas pelo aquecimento global, mas, creio que leitores deste blog sabem bem que o “verde” que move o Mundo não brota na floresta amazônica e tampouco é espécie nativa da mata atlântica, não é mesmo?

Pois bem, achei a matéria um pouco superficial, mas, já é um começo e ainda assim traz números e dados interessantes.

Como exemplos, seca na Austrália comprometendo a agricultura (“um dos pilares do desenvolvimento” daquele país), mais de 325 milhões de pessoas cujas rotinas são afetadas pelas mudanças climáticas “a um custo econômico de mais de 125 bilhões de dólares por ano”, entre outros efeitos devastadores.

E, apenas para variar, “mesmo com tais alertas não há hoje sinais concretos de que a reunião de Copenhague trará respostas definitivas para a questão”, segundo opinião da autora.

Ô pessoas, o discurso sustentável é mundial.

E já se fala em selo verde para produtos brasileiros. Espera aí, segundo José Goldemberg, “se o governo continuar privilegiando a construção de termelétricas movidas a carvão e óleo diesel, como vem fazendo nos último anos, até 2017 as fontes renováveis responderão por apenas 75% da matriz”.

Falar é fácil, o interesse de fazer é que não é tão simples.

Agora olha só, de acordo com a consultoria McKinsey, “para diminuir 70% de suas emissões até 2030, o Brasil teria de investir 27 reais por tonelada de CO2 – metade da média mundial”. Estamos em uma vantagem econômica absurda. É só deixar as árvores em pé. Mais nada.

“Aqui e lá fora existe um consenso de que o desmatamento zero na Amazônia só ocorrerá se houver quem o financie”.

Ah moçada, e vem alguém me falar que o que mais importa é o meio ambiente? Por favor, menos.

Quem tem acompanhado o mercado de meio ambiente neste ano de 2009, mesmo que seja na área de gestão de áreas impactadas, pode dizer bem onde foram feitos os cortes orçamentários. Meio ambiente ainda é gasto, não é custo.

E o motivo é muito claro, empresa de sabonete tem que fabricar sabonete, empresa automobilística tem que fabricar carro, empresa de geladeira tem que fabricar geladeira, meio ambiente não é “core business”, não é mesmo?

É nada, está errado.

Ora ora, isto é visão do século passado.

Empresa que não passar a enxergar (e se ainda não enxergou já pode ser considerada míope) meio ambiente como investimento e não como gasto vai penar neste início de século XXI. Não é apenas questão de marketing, a empresa vai sofrer por perda de competitividade, aumento de custo, excesso de resíduos, enfim.

Voltando ao prumo, manter as florestas em pé poderia render até 20 bilhões de dólares por ano, segundo a matéria, boa parte desta verba seria destinada ao Brasil, tudo por conta do REDD (reducing emissions from deforestation and degradation).

Caraca, o governo brasileiro faz ressalva ao modelos. “Não queremos que os países ricos deixem de fazer internamente o que precisam para reduzir suas emissões e cumpram suas metas comprando créditos de florestas”, disse à Exame Suzana Khan, secretária de mudanças climáticas do Ministério do Meio Ambiente.

Ai ai.

Sei lá, de vez em quando me lembro do “racismo ambiental” que parece nos perseguir.

Transferência de responsabilidade é demais.

Evidente que todos precisam fazer seu trabalho e todos precisam atingir suas metas, inclusive o Brasil.

Se não for assim tudo vira discurso sustentável para Copenhague.