Volto a dois dos temas mais debatidos nas altas rodas ambientais, a lei 13.577 e o mercado ambiental, mais especificamente a influência ou expectativas de influência do primeiro tema sobre o segundo.
Nesta semana que passou acompanhei este blog apenas como moderador e não como autor, o bom motivo foi o volume de trabalhos e de encontros mais que frutíferos.
Mares menos revoltos.
E destes encontros puxei os dois temas que intitulam o post.
Reparem, renovo a cada dia o otimismo por uma cenário cada vez melhor no mercado ambiental e não me refiro apenas à recuperação pós-crise, refiro-me às mudanças de postura que parecem cada vez mais presentes nas mentes dos stakeholders deste negócio meio ambiente. Sem ilusões, são posturas presentes, contudo pontuais.
Exemplifico.
Conversei com diversas pessoas nesta semana e dentre elas com executivos de três empresas líderes de seus mercados, não necessariamente o ambiental.
Os executivos de uma empresa atuante no mercado ambiental já disseram perceber reflexos da lei 13.577 no aumento da demanda por trabalhos técnicos de melhor qualidade em diagnóstico e remediação.
Será?
Ainda acho cedo para avaliar, mas, espero que estejam certos nesta percepção.
A ausência, ainda, de uma lista definitiva de áreas impactadas (como prevê a lei) e a definição do formato do fundo de prevenção de áreas impactadas, bem como o formato de seu uso, deixam a lei de certa forma nebulosa.
Não vejo a lista de áreas como um grande propulsor de serviços, uma vez que as áreas listadas possivelmente já estarão na mira do órgão ambiental e com processos em andamento, a vejo sim como propulsora de mercado, afinal, que está na lista desejará sair e quem estiver fora não deve querer entrar, não é mesmo?
Consultores serão cobrados na mesma proporção deste aperto.
De qualquer forma é evidente que a lei só funcionará com fiscalização e cobrança, caso contrário, deve “assustar” apenas no início.
Em um segundo encontro, executivos e técnicos de outra empresa, líder no setor energético, me propiciaram uma experiência gratificante, a de apresentar a um seleto grupo de especialistas de diversas áreas (compras, suprimentos, meio ambiente, novos negócios, licenciamento, jurídico e por aí vai) as premissas, metodologias e técnicas para correta condução de trabalhos de diagnóstico e remediação de solos e águas subterrâneas.
Banal?
Não é não.
Mostra a crescente preocupação das empresas, ao menos daquelas que se preocupam minimamente com seu próprio core business, com as busca da solução adequada dos problemas ambientais.
A experiência foi mais enriquecedora no momento em que expôs em um mesmo ambiente visões distintas do mesmo negócio, a do responsável pelo meio ambiente, a do advogado, a do comprador, a do diretor executivo, enfim, congregação de ideias.
E mais, muito mais, descortina novas oportunidades quando o meio ambiente é visto como investimento e não como despesa, reparem que citei a presença de profissionais da área de novos negócios.
Ora ora, este tipo de exposição contribui muito para minimizar o poder do modelo de contratação pelo “menor preço”. Privilegia-se um modelo mais adequado de contratação, “a melhor solução pelo menor preço”.
O desfecho desta trilogia se deu com outro encontro motivante com executivos de uma empresa líder no setor agrícola.
E impressionou positivamente o conhecimento detalhado das questões ambientais demonstrado por tais profissionais.
Claro que é diferencial profissional, evidente que não são líderes por sorte ou acaso.
Possuem passivos ambientais e têm consciência dos problemas não relacionados ao seu core business.
E sequer tinham ouvido falar na lei 13.577. Desmotiva? Nada, gera expectativa.
Isto evidencia que o mercado tem espaço de sobra para assimilar a nova lei e seus potenciais benefícios.
Isto apenas e tão somente reforça o posicionamento estratégico de diferenciação que deve ser adotado pelas empresas e consultores de ponta no mercado.
Cada vez mais se dará a busca por soluções.
Cada vez mais a tendência do mercado será o estabelecimento natural de patamares de qualidade.
Ora, ninguém pode negar que este é um mercado seletivo e interessante.
Vejam, se todas as empresas fizerem um trabalho tecnicamente adequado qual a tendência do mercado ambiental de contaminação? Desaparecer.
É isso mesmo, fazendo direito acabaremos com os passivos ambientais. Restarão então trabalhos emergenciais.
Trágico?
Claro que não, motivador.
Obrigará a renovação de empresas e profissionais.
Partiremos (aliás, quem ainda não partiu que acorde) em um novo rumo, novas tecnologias, minimização na geração de resíduos. Nova era.
Por outro lado, se os trabalhos continuarem sendo feitos com a qualidade sofrível que se apresentam na grande média do mercado, então teremos passivos recorrentes.
Detalhe, com verbas já gastas. Aí sim o cenário é trágico.
Ah, mas estes e muitos outros fabulosos empresários mostram que o caminho pode ser menos acidentado.










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