
Refleti bastante sobre o que escrevi em meu último post peça publicitária compara o tsunami aos atentados ao World Trade Center.
Nada sobre o tema do post, continuo achando uma besteira. Besteira ambiental. Deixa para lá, também não é motivo para crucificação e tão pouco merece outro texto.
A questão que retomo é a capacidade de adaptação do ser humano, aquela citada pelo zoólogo Joseph Reichholf.
Acabei de assistir no jornal nacional ao depoimento de uma pesquisadora que se disse crente no ser humano. Eu também sou. É quase uma necessidade, a crença no ser humano é fundamental para que não se percam as metas, para que não se perca o norte, não se perca a esperança.
Vejam. o que se busca hoje nos movimentos ambientais nada mais é do que um convencimento do ser humano pela preservação da natureza. Nada se faz na marra. Nada pode ser contra a lei ou inconstitucional.
Vou tentar ilustrar onde quero chegar.
Há menos de cinco anos tive a possibilidade de me reunir com um grupo de empresas envolvidas em um dos maiores casos de contaminação do Brasil. Resíduos, solo, água subterrânea, pessoas com câncer, um cenário completo. Foram várias reuniões em que propus alternativas de solução para o problema.
As apresentações para dois públicos, técnico e jurídico. Mais de 40 empresas. Mais de quarenta!
Resultado?
Bom, até hoje o problema se arrasta. Reparem, não lamento pela solução não acatada.
A razão pela qual o problema se arrasta exatamente esbarra na quantidade de envolvidos. Mais de quarenta empresas, técnicos e advogados aqui e em matrizes estrangeiras em números exponenciais de pessoas. Muita gente com interesses divergentes, ideias diferentes, culturas distintas. E estou falando de “apenas” um caso de contaminação.
Imaginem então o Planeta discutindo as questões ambientais. Aquecimento global. Energias alternativas.
Assim como numa empresa, questões estratégicas, valores, culturas, interesses. Pensem bem, não há como criticar um empresário por querer atingir lucros. Há como questionar seus métodos, isso há. E há de se priorizar atitudes e alternativas.
Onde quero chegar? Exatamente nas prioridades. Talvez aquelas sumariamente citadas por Joseph Reichholf.
Dois mil e trinta, 2050, 2100, até lá muito há de ser feito para que os modelos se comprovem.
E o ser humano estará adaptado, alguém duvida?
O problema está aqui e hoje.
Vejo com ressalvas muitas das medidas impostas e adotadas.
Comprar créditos de carbono, por exemplo e guardando as devidas proporções, é como pagar parcelada a fatura do cartão de crédito. Não obriga a empresa ou o país que adquire os créditos a adotar medidas de maior eficiência produtiva e energética. Cria sensação de falso alívio.
Como já escrevi em retorno de investimento em passivos ambientais, as questões ambientais devem estar integradas ao DNA da empresa, devem ser custo operacional e não despesas.
Ora, o retorno do investimento em alternativas de preservação ou minimização do aquecimento global se dá no ganho de eficiência produtiva, na adoção de tecnologias de reuso e reaproveitamento que promovem economia de recursos, na maior competitividade empresarial e comercial. Definitivamente o ganho não está, sob o ponto de vista empresarial, na redução das previsões catastróficas a serem confirmadas daqui a duas, três, quatro décadas. As empresas precisam sobreviver hoje. Precisam sobreviver à crise assim como os países.
O ser humano também.
Precisa sobreviver ao terrorismo. Às divergências ideológicas e culturais.
É preciso que todos comam, que todos tenham acesso a saneamento básico. Que tenham estudo.
Não é desmerecida a previsão futurista, tão pouco a preocupação com o clima e com a sobrevivência das espécies, inclusive a nossa.
Preciso é eliminar os contra-sensos. Aqueles que permitem o desmatamento descontrolado da Mata Atlântica para implantação de condomínios enquanto se combatem queimadas na Amazônia. Aqueles que cobram o reuso de água de chuva e permitem que aquíferos sejam contaminados e não remediados. Aqueles que tratam resíduos superficiais e fecham os olhos para a contaminação subterrânea.
Ora pessoas, porque a sustentabilidade exige o equilíbrio.
Sou otimista como sempre. Caso contrário não caberia mais o esforço.

Publicado por M.L.B.T. em setembro 12, 2009 às 17:55 r r
Flávio, não sei se estou sendo inconveniente, mas como sou novo nessa coisa de Blog e você foi um dos primeiros blogs que entrei, e além do fato de ser consultor também, estou deixando os posts meu que acredito serem relevantes à você… numa forma de a gente construir um pseudo-networking de informação útil a nós dois…
Eu faço parte da Rede de Inventários da CETESB, fiz estágio no INPE, Sou engenheiro da Computação e Eng. Ambiental… Estudar é a coisa que eu sei fazer melhor depois de beber vinho, rs.
a notícia de hoje é muitíssimo interessante… “E que tal: Resfriamento Global ?”
http://mateusteixeira.wordpress.com
http://mateusteixeira.wordpress.com/2009/09/12/e-que-tal-resfriamento-global/
Um grande abraço!
Desculpe por algum incômodo!
Publicado por ferlinisalles em setembro 12, 2009 às 20:51 r r
Caro Mateus,
Inconveniente? De forma alguma.
Também sou novato neste meio, meu blog não tem 2 meses ainda.
Estudar e beber vinho seriam os dois principais pré-requisitos que eu selecionaria caso resolvesse restringir o acesso a este blog (o que eu não vou fazer, é claro). Risos. Portanto você é mais que bem-vindo.
Coincidentemente esta última semana foi super corrida e a próxima deverá ser mais ainda, o que comprometeu a postagem de artigos e também a moderação dos comentários.
Estou lendo todos os teus posts e me preparando para opinar de maneira correta e consistente.
Vamos nos falando.
Por favor, não pare de enviar notícias.
Um grande abraço e até mais.