papel da avaliação de riscos na revitalização de áreas impactadas

vista aérea de SP

Dentre os resultados percebidos para trabalhos de diagnóstico e remediação a revitalização de uma área impactada é sem dúvida um dos mais nobres.

O nome é auto-explicativo (em inglês estamos falando de brownfields), trata-se da recuperação de uma área impactada até condições aceitáveis para uso definido.

E este é o ponto importante a ser frisado, uso definido.

Àqueles não habituados ao assunto saibam que remediar ou recuperar uma área não é sinônimo de deixar a “área limpa”. Aliás, para determinados tipos de contaminação deixar a área limpa é praticamente impossível.

A notícia chega a causar tristeza, eu sei, mas, em geral área contaminada não volta mais às condições originais, salvo em raras exceções.

Mas, isto também não quer dizer que a área está condenada ao desuso.

Daí a ferramenta da avaliação de riscos é importante, entendem? Não? Este termo também é novo?

Resumindo, risco toxicológico precisa de três fatores para existir, contaminante, rota de exposição e receptor. Se um destes fatores não estiver presente então não há risco associado ao cenário avaliado.

Agora exemplificando, chumbo (contaminante) que chega dissolvido na água até o poço de uma casa (rota de exposição) e é bebido por uma criança (receptor). Este cenário configura risco (se aceitável ou não é outra história). Entendido?

A partir de então as possibilidades são diversas, o quanto há de contaminantes, qual a velocidade da água, qual a profundidade do poço, qual a idade e qual o biotipo do receptor, aspectos hidrogeológicos e geológicos e isto vai longe.

A relação de todas estas variáveis vai resultar em um valor de risco, calculado através de modelos matemáticos.

Então fica fácil fácil, é “só remediar” até que as concentrações de contaminantes atinjam valores em que o risco seja aceitável e controlado. Mole, não é mesmo?

Outra opção é controlar a rota de exposição, proibir o consumo da água do poço, por exemplo.

A terceira opção deve ser inviável, ainda não vi cogitarem eliminar o receptor, mas, não duvido de nada. Posso parecer insistente, e sou, mas, já imaginaram esta ferramenta nas mãos de quem não sabe usá-la?

Ôh Flávio, assim como Lex Luthor da consultoria ambiental?

Ah, voltando ao eixo.

E voltando ao positivismo.

O uso pretendido para a área impactada é o início para avaliar os riscos e determinar qual o nível de remediação a alcançar. Conhecer o uso é fundamental para determinar as tais variáveis matemáticas, para calcular as metas de remediação e definir as tecnologias que tornam possível atingir tais metas.

Já perceberam o ganho? Se algum de vocês mora em algum lugar com grande disponibilidade de espaço pode não ter percebido, agora tente achar um terreninho vago na foto que ilustra este post. Áreas não aproveitadas valem muito nestes lugares. Aproveitadas podem valer mais ainda.

Para o nosso marqueteiro ambiental, aquele que tenta vislumbrar luxo no lixo (escrevi sobre isto no final do post retorno de investimento em passivos ambientais), talvez este seja o mais simples dos alvos de uma estratégia bem elaborada de marketing para áreas impactadas.

Revitalização de área, soa muito bem.

Justifica o investimento para áreas hoje em desuso por contaminação. Justifica o investimento para retorno de valor ao imóvel. Ah, ainda tem o benefício ambiental, quase ia me esquecendo.

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