colcha de retalhos

Observando os fatos de dentro para fora, as expectativas depositadas sobre este País não parecem condizentes com o arranjo intrincado e caótico sobre o qual se baseia a sociedade brasileira.

A capa é mais bonita que o conteúdo, não acham?

Em temas distintos encontram-se semelhanças preocupantes, engrenagens enferrujadas em um caminhão que está descendo a ladeira em alta velocidade, espera-se que não desgovernado.

Por exemplo, em outubro do ano passado escrevi sobre as olimpíadas de 2016 que serão (será?) realizadas no Rio de Janeiro (olimpíadas e meio ambiente), sobre a oportunidade “de fazer muito mais, ou apenas ver a oportunidade passar”.

O mesmo raciocínio se aplica à Copa do Mundo de Futebol de 2014 que nem começou e já começa a apresentar problemas com indecisões estratégicas, brigas políticas e atrasos de obras.

Há quem diga que a estratégia seja a de atrasar ao máximo a data inicial das obras para que as contratações possam ser feitas em caráter de emergência, possibilitando assim dispensas de licitação e aumentos de preços para os serviços contratados.

Reforçando o que escrevi em outubro, eventos como jogos panamericanos, olimpíadas e copa do mundo de futebol são oportunidades de crescimento, atraem investimentos, movimentam o turismo, propiciam intercâmbios, obrigam criação de infraestrutura, mas, o aproveitamento deste cenário favorável se dá na plenitude quando existe um modelo ideal (ou ao menos bom) de funcionamento.

O uso de olimpíada e copa do mundo como eventos para constar de portfólio político cai na mesma vala demagógica de verbas sociais disponibilizadas pelo governo carioca após o acidente no Morro do Bumba.

As verdadeiras intenções conduzem as decisões.

Ora, evidente que não houve qualquer boa intenção governamental de solucionar os problemas de ocupação em áreas de riscos, se assim fosse, medidas já teriam sido tomadas após os deslizamentos em Angra dos Reis, que já eram motivos mais que suficientes para o início de medidas preventivas e corretivas.

O retrato da situação no Rio de Janeiro, as enchentes em São Paulo, as enchentes em Santa Catarina, mensalões, aloprados, legados pífios do panamericano no Rio e por aí vamos, motivos para mudanças não faltam, resta encontrar vontade para tal.

Os absurdos se repetem em cenas isoladas que colocadas lado a lado formam uma imensa colcha de retalhos.

Colcha que cobre o País. Ou encobre o País?

Sob quais argumentos as empresas fazem tantos trabalhos ambientais de baixa qualidade técnica?

Um deles é a concorrência, o mercado está nivelado por baixo.

Outro é a fiscalização, se o órgão ambiental aceita o que é apresentado, para que fazer diferente?

Acrescento mais um argumento a estes, responsabilidade. Por mais que o mercado esteja em baixo nível e a fiscalização seja limitada, nem todos têm vontade de mudar esta situação. Muitos não têm vontade e tampouco competência.

E assim continuam os desmandos, encobertos por esta colcha de retalhos que faz do País um incógnita, mas, é colorida, bonitinha, agrada a quem vê de fora.

Uma resposta para este post.

  1. [...] post colcha de retalhos eu escrevi que “as verdadeiras intenções conduzem as decisões”, ora, nenhuma [...]

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