sobre Tiririca e este mundinho abstrato em que vivemos

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Aqueles que acompanham este blog já devem ter percebido algumas características pessoais deste que vos escreve. Uma delas é exatamente não abordar minhas características pessoais, a não ser que sejam essenciais ao raciocínio da publicação.

Outra característica é uma fé pessoal, introspectiva, porque não sou afeito a pregações e movimentos religiosos, acredito que a fé tem um poder imensurável, mas, é pessoal e intransferível, cada um com a sua.

Encerrando este breve descritivo, lembro a visão prática, não chega a ser ceticismo ou uma desconfiança cerrada de tudo, talvez seja um senso de preservação à convivência social.

Pois bem, os cenários que se descortinam para o início desta segunda década do século XXI me fazem rotineiramente recorrer a estas características intrínsecas para repensar planos pessoais e profissionais.

Filhos que chegam (acabou de chegar um) costumam turbinar este tipo de reflexão.

Tentarei ilustrar estas divagações todas.

A revista Época no. 644 trouxe em sua “edição verde” uma matéria intitulada “a natureza não tem preço” assinada por Haroldo Castro, com belas fotos e algumas passagens interessantes.

Haroldo escreve na matéria que “um dos principais valores não monetários da natureza é a sensação de prazer e conforto provocada por sua harmonia estética”. Eu até acho que a matéria da Época aborda demais o lado abstrato do tema, a relação espiritual entre o ser humano e a natureza versus o medo que esta impõe aos “urbanos”.

Tenho profunda admiração pela natureza, um sentimento de preservação instintivo que é pautado em seu valor mais prático e que na matéria da revista encontra sua maior representação nas palavras de, ora vejam, um líder espiritual, Dalai Lama, quando afirma que “cuidar de nosso planeta não é um ato santo ou sagrado. Não podemos viver em nenhum outro, apenas neste”. E ponto.

A alimentação do espírito conta e conta muito, mas, o negócio é mais rasteiro que isso, é instinto de preservação.

Qual então a razão do título deste post? Segue o mesmo princípio de causa e efeito.

Dora Kramer expressou bem o que quero dizer agora em seu texto (De Severino a Tiririca) no jornal O Estado de São Paulo de 29 de setembro, texto pré-eleição, onde afirma que “há uma diferença entre aqueles cujo negócio é a política e os que transformam a política num bom negócio. Estes é que passaram a dar as cartas” [no Congresso].

Sobre Tiririca, que compõe o título deste post, não posso encontrar palavras melhores que as de Dora, aquele que “aluga sua ignorância para espertalhões que se valem da estupidez de milhares que, se achando espertos, são feitos de bobos”.

“Uma mistura nefasta: de um lado a patifaria e de outro a alienação”, escreveu a colunista.

Aprendi há tempos na escola que congressistas representam (ou deveriam representar) o povo. Não me vejo representado pela grande maioria dos políticos deste País, tampouco autorizaria Tiririca a ser meu representante, isto não é protesto para alguém com QI superior a zero.

Entendem a sutil ligação entre as coisas?

Discute-se um mundo que se destrói na prática enquanto sua preservação paira em devaneios abstratos. Um mundo em que o palhaço não se contenta em fazer rir (mas, está no direito dele, isto ninguém pode negar) e muitos riem sem saber porque.

Esqueci de iniciar o texto lembrando de meu otimismo nato, acredito que a natureza tem seu poder infinito de regeneração, só não sei se teremos espaço nesta natureza regenerada que ora estamos insistentemente tentando aniquilar.

Espero que meus filhos um dia tenham motivos para rir disto tudo.

5 comentário para este post.

  1. Publicado por Luiz Miliorini em novembro 17, 2010 às 23:52 r r

    Fazia tempo que não visitava o seu blog, por isso acabei escolhendo apenas alguns textos para ler. Fiquei especialmente contente com este.
    Ficou ótimo.
    Abraço,
    Bizu

    Responder

    • Publicado por ferlinisalles em novembro 18, 2010 às 9:16 r r

      Grande Bizu.
      Opiniões como as tuas são sempre muito especiais, fico feliz que desta vez tenha gostado do texto.
      Espero que nos encontremos mais aqui no blog e espero que nos encontremos mais pessoalmente.
      Grande abraço.
      Flávio

      Responder

  2. [...] Este foi o comentário do meu amigo Fabiano sobre a publicação deste blog “sobre Tiririca e este mundinho abstrato em que vivemos“. [...]

    Responder

  3. Um tanto quanto deprê, mas como não ser? Com este cenário que se desfralda nos nossos olhos e com um cheiro característico do desfraldamento das fraldas…entretanto apesar deste pessimismo acobertado, é difícl manter o peito erguido e olhar pra frente. Mas, não tem outra maneira de ser senão erguer o peito e olhar para frente. Então, vamos em frente.

    Abraços!!!

    Responder

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