
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP disponibilizou em sua página na internet, no final de julho de 2011, a cartilha Informações Básicas Sobre Áreas Contaminadas.
A cartilha é bonitinha, bem diagramada, bem escrita e traz informações realmente básicas sobre áreas contaminadas, nada além do que propõe seu próprio título.
Está bem, vamos lá.
Eu tenho acompanhado algumas discussões no Linked In sobre perspectivas do mercado mundial para hidrogeólogos e lá parece haver consenso de que o mercado só é promissor em economias emergentes (incluam neste pacote os BRICS) e em países onde é crescente a percepção da importância da água subterrânea como recurso estratégico.
Países com uma cultura minimante consolidada nas questões ambientais relativas ao gerenciamento de áreas contaminadas aparentam ter uma constante redução do mercado para hidrogeólogos, ora, nada surpreendente, certamente já escrevei aqui no blog que esta área de atuação é relativamente ingrata, se o trabalho for bem-feito (parece óbvio, mas, sempre é bom grifar) o mercado se esgota simplesmente porque os passivos ambientais se esgotam.
Evidente que novas áreas contaminadas tendem a surgir, mas, em muito menor escala até pela mudança cultural no trato com as questões ambientais e com as práticas produtivas.
Aqueles países que notam encolhimento do mercado vêm tratando com afinco seus passivos ambientais em solo e água subterrânea há pelo menos 20 ou 30 anos.
Então tá, caro leitor, não lhe parece um pouco tardio que a FIESP, “intérprete do setor produtivo”, “a voz que fala por 131 sindicatos patronais, os quais representam, aproximadamente, 150 mil indústrias de todos os portes e das mais diferentes cadeias produtivas”, “a maior entidade de classe da indústria brasileira” emita somente em 2011 uma cartilha com informações básicas sobre áreas contaminadas?
Vejamos por outro ângulo, não lhe parece tardio que uma indústria qualquer necessite de informações básicas sobre áreas contaminadas a esta altura do campeonato?
Olha só, a primeira relação de áreas contaminadas foi divulgada pela CETESB há 9 anos, em maio de 2002. Não que os trabalhos em áreas contaminadas tenham começado naquela data, mas, representa um marco importante para o setor. De lá para cá foram 11 novas relações divulgadas e a última, em 2010, indica 3.675 áreas cadastradas e destas apenas 471 indústrias.
Notem bem os números apresentados até aqui, a FIESP em sua página da internet cita 150.000 indústrias de diferentes setores e portes, evidente que nem todas estão contaminadas, mas, 471 indústrias da relação divulgada pela CETESB representam menos de 1% do total de indústrias só no Estado de São Paulo.
Em termos de mercado é um potencial excelente.
Por outro lado é um mercado extremamente dependente de uma relação saudável entre consultor e consultado, entre indústria e prestador de serviço, entre responsáveis legal e técnico por áreas contaminadas, entre industriais desejosos por resolver seus problemas ambientais e empresários aptos a oferecer soluções adequadas, entre dois ou mais profissionais responsáveis.
A cartilha da FIESP parece representar o manual de vôo ao piloto que já está no ar, mas, longe da velocidade de cruzeiro.
É um documento relevante e principalmente sintomático diante de um mercado cuja importância ainda não foi percebida como deveria.

Publicado por Marcio Costa Alberto em setembro 7, 2011 às 15:58 r r
Gostei muito de sua última colocação, mas gostaria de aletar para uma revisão do final da frase, que a meu ver pode até já ser percebida, mas como deveria, de longe. Cabe discussão sobre este assunto! Um grande abraço!
Publicado por ferlinisalles em setembro 10, 2011 às 23:15 r r
Marcio, obrigado pelo elogio e, principalmente, obrigado pela sugestão de revisão, se cabe discussão, vamos fazê-la. Abraços.