Ensaiei inciar este artigo apenas como uma crítica, mas, percebi com o desenrolar do raciocínio que este texto pode até ter alguma utilidade pública.
Todos devem ter lido sobre a prisão, nesta segunda-feira (24/10/2011), de uma quadrilha cujos integrantes se passavam por fiscais da CETESB para extorquir dinheiro de empresários.
Pois bem, as notícias veiculadas na imprensa sobre o caso revelam características sintomáticas do mercado ambiental sobre as quais venho discorrendo insistentemente neste blog.
Esqueçamos o estelionato em si, interessa-me analisar o caso pelo lado da vítima, como consegue se tornar um alvo para este tipo de golpe e, principalmente, como muitas vezes a vítima não é só vítima.
Vamos lá, começando do básico, a notícia veiculada pelo Estadão.com.br com o título “Presa quadrilha que aplicava golpes em nome da Cetesb” dá conta de que alguns integrantes da quadrilha se faziam passar por técnicos da CETESB e o bando “se apresentava a vários estabelecimentos no entorno do Shopping Center Norte para entregar uma notificação falsa da Cetesb, na qual constava que o empreendimento tinha sido considerado contaminado pela agência ambiental”. Um exemplo desta “notificação” ilustra este artigo.
A quadrilha utilizava uma empresa de fachada chamada Rasperfure e com esta “tentava vender o serviço de investigação da área”.
Ontem eu tive a curiosidade de procurar a página da tal empresa Rasperfure, hoje ela já não está mais no ar, mas, a empresa Rasperfure Sondagens e Monitoramento Ambiental dizia em português mal escrito ser especializada em sondagens.
Daí retiro dois detalhes importantes, sondagens e poços de monitoramento são ferramentas muito importantes para investigação de áreas contaminadas, mas, não são as únicas tarefas envolvidas em um processo de investigação.
Vamos a um esclarecimento, há empresas de sondagens competentíssimas no mercado ambiental e uma de suas características é a de não realizar trabalhos completos de investigação ambiental, o que também ocorre com laboratórios de análises químicas, empresas especializadas em coleta de amostras e por aí vamos.
O principal motivo para isso não é a falta de competência, há empresas de sondagens, por exemplo, capitaneadas por excelentes geólogos e profissionais experientes neste negócio de áreas contaminadas, mas, lembrem-se de duas coisas, primeiro que estas empresas prestam serviços para empresas de consultoria e realizar trabalhos completos as deixaria em concorrência com atuais, futuros e potenciais clientes; segundo que sondagens, análises químicas e amostragens são atividades técnicas muito especializadas e que requerem um tempo de dedicação enorme, o que faz destas empresas diferenciadas exatamente por suas competências específicas.
Não tenho dúvidas de que já falei sobre isso em algum artigo deste blog, mas, selecionar criteriosamente a empresa consultora em gestão ambiental é o primeiro passo na tentativa de solucionar o problema.
Coisa que me chama a atenção sempre é a falta de critério com a qual as empresas contratam serviços e consultoria, ora, escrevi brevemente acima que a página da empresa Rasperfure era escrito em mau português e isto já deveria ser motivo para seleção de qualquer contratação, mas, este problema transcende o mercado ambiental.
Agora, por favor, leiam este trecho da matéria assinada por Márcio Pinho e veiculada no Estadão.com.br com o título “Golpistas ‘vendiam’ laudo falso da Cetesb“: ”O grupo, disfarçado com o logo da Cetesb, informava a indústrias, transportadoras e postos de gasolina que o solo do estabelecimento estava contaminado e que, dessa forma, teriam de pagar uma multa. Nessa hora, os supostos fiscais abriam brecha para o suposto suborno e cobravam propinas – em alguns casos, de R$ 70 mil – para evitar a autuação.”
Ressalva, as matérias que eu li não informam se houve efetivamente pagamento de propina, no entanto, esta etapa do golpe tenta se aproveitar de um dos maiores vilões do mercado ambiental (e vilão não apenas deste mercado), o jeitinho, e faz da vítima uma co-autora do delito.
Propina não é opção em gestão.
Não discuto questões religiosas, tenho cá comigo minhas convicções e as guardo bem guardadas para mim, então, tecnicamente falando lá vai um alerta para quem não quer cair em golpes como esse, de estelionatários ou não:
Em gestão de áreas contaminadas, não há milagres, ou se faz benfeito ou então é melhor nem fazer.
E vamos que vamos.


Publicado por wilha em novembro 6, 2011 às 15:36 r r
acho que o Governador de são Paulo Geraldo Alckimim,deveria exigir maior fiscalização da CETESB nos postos de combustiveis,tendo em vista que eles são os maiores contaminadores do Lençol freático no Brasil,Porem se ele tomar esta atitude irá mecher com Peixe grande,porque a grande maioria dos proprietários de comercio verejista de combustiveis são Político Ex: o Deputado estadual Luiz Moura que é hoje Dono de uma rede de postos de combustiveis em SP , e tambem ,seu imão o Vereador Senival que possui mais de 60 Pontos de vendas de combustiveis em São Paulo e nos municipios vizinhos,em guarulhos guaianzes,itaquera,ferraz e outros
Porque não se investiga eles? e será que esta tudo certo? será que Laranjas não estão sendo Usado como fachada? algumas boas perguntas para uma profunda reflexão Observamos que o Delegado que investigou o caso Rasperfure não deixou dúvidas quanto as irregularidades encontrada pelos falsários esperamos resposta do Governador …………………iisso daria um Filme
Willan Boner – JN
Publicado por um luminatti em novembro 6, 2011 às 15:20 r r
me recordo de um ditado popular que diz que em terrero que não tem galo quem canta e frango e franguinha .pois bem tudo isso demonstra a incompetência e a fragilidade, da CETESB em relação as fiscalizações junto as empresas que oferem riscos de contaminação ao Lençol freático, os falsários estão de parabens e a CETESB está sem moral em todos os sentidos, eles criaram o problema e tentaram vender a Cura
Iluminatti -11
Publicado por Marcio Costa Alberto em outubro 25, 2011 às 19:02 r r
Realmente, esta situação é preocupante, mas, me preocupo “também” com as empresas que são honestamente contratadas, mas, aplicam o estelionato de maneira legal e institucionalizada, principalmente, em licitações, gerando dados de má qualidade, mesmo com dinheiro suficiente para tais investigações!
Acho que isso fortalece a ideia de que uma empresa deve ser contratada para fazer a gestão das áreas contaminadas, incluindo a gestão dos contratados para os serviços associados!
Publicado por ferlinisalles em outubro 26, 2011 às 9:09 r r
Marcio, você está correto.
Na verdade esse é um outro passo no amadurecimento do mercado, primeiro é necessário selecionar empresas e profissionais competentes, depois exploram-se as competências.
A contratação de uma empresa gestora favorece este controle e contribui para otimizar a qualidade.
Grande abraço.
Publicado por Marcio Costa Alberto em janeiro 18, 2012 às 16:49 r r
Nem sempre!!! rsrsrs!!!