
Escrever neste blog e publicar fotos no Ferlini Salles Visual são para mim um grande barato, verdadeira descontração.
Não escrevo qualquer coisa que vem à cabeça porque primo pela qualidade e porque respeito quem está lendo.
Daí vem o principal motivo pelo qual muitas vezes fico longos períodos sem aparecer por aqui, não quero tornar o ato de escrever um lamento e tampouco deixar tediosa a leitura deste blog e então, para não extravasar o repúdio por fatos diários e corriqueiros, prefiro calar-me até recuperar o fôlego.
Agora que “tá” difícil aceitar algumas coisas, isso “tá”.
Este País está careta demais, e não é de hoje, lá em 1989 o Roger do Ultraje a Rigor já dizia:
“Morar nesse país
É como ter a mãe na zona
Você sabe que ela não presta
E ainda assim adora essa gatona…
…Cês me desculpem o palavrão
Eu bem que tentei evitar
Mas não achei outra definição
Que pudesse explicar
Com tanta clareza
Aquilo tudo que a gente sente
A terra é uma beleza
O que estraga é essa gente…”
Ficar muito tempo sem escrever tem suas vantagens e desvantagens, há muito assunto a colocar em dia, mas, é difícil saber por onde começar.
Começo pelo fato mais recente.
Ontem minha esposa levou nosso filho mais novo para tomar uma vacina. Na fila de espera para pagar o estacionamento, dentro do hospital hein, uma mulher que estava à sua frente desmaiou. Neste momento um médico passava pelo local, desviou da mulher estendida no chão e dirigiu-se ao elevador. A acompanhante da mulher apelou por ajuda e foi atendida pelo segurança do hospital, que acionou a emergência. Ao chegar rapidamente ao local um enfermeiro atendeu a paciente e ouviu a queixa dos que presenciaram toda a cena e dignou-se a procurar o médico do início desta história. Para surpresa de todos, o médico retornou ao local e, em pé, com o estetoscópio enrolado no pescoço e de braços para traz iniciou uma curta conversa com a paciente deitada no chão, limitando-se a perguntar o que ela sentia.
Pessoas, estamos falando de um médico do Hospital Albert Einstein.
E o problema não está no hospital, um dos melhores do País, o problema está na pessoa.
Assim como o problema não está no SUS, está nas pessoas que nele trabalham, que o gerenciam, que o utilizam.
Só se pensa em si.
O grande problema deste País é a falta de educação, não é a primeira vez que falo disso por aqui.
E não estou falando em ensino de matemática, língua portuguesa e geografia, que são fundamentais, estou falando de formação moral, ética, caráter, respeito, civilidade, patriotismo.
Sempre achei o tal do Rafinha Bastos um imbecil, aliás, corrijo-me, não o conheço pessoalmente, sempre achei o seu humor imbecil e, o que deve ser mais impactante e importante para um humorista, considero-o sem graça.
Por isso não o assisto como já não o assistia.
Daí a concordar com a maneira como foi conduzida a sua história dentro do programa CQC da Rede Bandeirantes é outra história.
Só que há um problema muito mais sério do que minha concordância ou não com o fato. Eu sou partidário de que nenhuma forma de expressão deve ser censurada, que o espectador é o melhor termômetro para medir a qualidade do que lhe é apresentado, mas, para isso, a qualificação tem que ser dada principalmente ao espectador.
E isso, meus caros, leva muito tempo.
Se começássemos hoje educando corretamente as crianças destes País, mesmo ignorando o fato de que a convivência familiar é fundamental na formação do indivíduo e que boa parte dos familiares não possui educação adequada, quanto tempo levaria para esta nova geração assumir uma posição atuante a ponto de iniciar uma mudança significativa na qualidade social, 20, 30, 40 anos?
Se começássemos hoje!
O País do futuro tem carência de presente.
Eu tenho opiniões bem peculiares em relação a este assunto.
Tenho um grande amigo torcedor fanático pelo Corinthians com quem invariavelmente converso sobre futebol. Insisto em dizer-lhe que não me conformo com o fato de alguém com o mínimo de discernimento cegamente sofrer por futebol hoje em dia. Não ignoro a paixão pelos clubes,tampouco a importância do esporte na cultura nacional, tal afirmação não se atrela a qualquer clube, relaciona-se exclusivamente ao modelo de negócio em si, não estou falando de futebol amador, que é outra coisa.
Vai um exemplo, há pessoas muito influentes no futebol que são contra a adoção de tecnologia para auxiliar a arbitragem porque o erro faz parte da modalidade.
O erro faz parte do futebol?
Esqueça o futebol tupiniquim por um momento, pense em futebol como uma referência esportiva ou cultural para qualquer nação. Pense que crianças e adultos adoram futebol e o acompanham com grande devoção.
Agora lembre que a França se classificou para a Copa de 2010 com um gol irregular de Thierry Henry contra a Irlanda, que ficou de fora da Copa (falei sobre isso lá em 2009). O jogador francês ajeitou propositadamente a bola com a mão no ato do gol. O juiz não anulou o lance, contudo, todas as câmeras presentes no estádio flagraram o lance, o que não foi suficiente para reparar o dano. Ah, vão me dizer, seja mais relaxado, futebol não é coisa para ser levada tão a sério. Eu concordo, mas, vai dizer isso ao empresário do jogador que não foi à Copa para ter a chance de ser valorizado, vai dizer isso à federação irlandesa que vendeu menos camisas da seleção, vai dizer isso aos patrocinadores que tiveram seu nome ligado ao ato irregular francês, vai.
Esquecendo o lado financeiro, pensando na influência educacional e cultural eu vos pergunto, qual referência preferem levar desta situação? A de que roubar é válido ou a de que ser roubado é aceito? A da vantagem a qualquer preço ou a da impunidade?
Entender ou não porque alguém sofre por uma coisa dessas é o menor dos problemas, o maior deles é que este esporte é referência nacional e reflete muito bem a sociedade em que vivemos.
Reflexo que está por todos os lados.
Não é expurgando rafinhas que se melhora a qualidade da programação televisiva, não é agredindo árbitros que se melhora a justiça no futebol, não é com lei anti-homofobia que se acaba com o preconceito, não é impondo ao motorista a obrigação de parar sobre a faixa de pedestres que se cria um motorista mais consciente, não é com proibição que se educa.
Premissa democrática é que todos possam expressar suas opiniões cientes de que são responsáveis pelo que falam.
Premissa democrática é de que todos possam conviver civilizadamente, respeitando-se as diferenças e as liberdades alheias.
Mas, meus caros, isto só se consegue com educação e não por decreto.
Enquanto a briga for por quota racial na universidade ao invés de um ensino básico de melhor qualidade que conceda a qualquer raça o direito de acesso ao ensino superior, enquanto a briga for por espaço para fumar maconha em detrimento da segurança dentro da Universidade, enquanto homossexuais forem tratados como uma nova espécie animal e não como serem humanos que têm direito às suas opções sexuais a coisa não vai melhorar.
Medidas de emergência são necessárias diante de todo desequilíbrio criado, é evidente que para ensinar a pescar há de se manter o pretenso pescador vivo.
Acontece que a lição não se aplica e nem se aprende em um ano, quiçá em uma década, ou será um século?
Até lá, infelizmente, boa parte da população será intimamente identificada com a música de 22 anos atrás:
“…A terra é uma beleza
O que estraga é essa gente
Filha da puta
É tudo filho da puta.”

Publicado por Luiz Fernando Miliorini em dezembro 1, 2011 às 15:02 r r
Fico lisonjeado por ter sido citado no texto. E já que fui vamos lá…
o texto está ótimo e as colocações, inclusive sobre futebol, são muito boas.
Mas, como vc mesmo disse, eu fico meio cego para algumas coisas.
Talvez não tenha tanto discernimento como vc imagina, talvez seja muito turrão para concordar com algumas coisas, ainda que pareçam óbvias.
De qualquer forma não tem jeito, e já que é assim: Vaaaaaaiiii Cooriinnthiaaaaaannnssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Publicado por ferlinisalles em dezembro 1, 2011 às 18:06 r r
Risos, nunca faria uma citação nominal.
Está longe de ser uma questão pessoal, ontem mesmo eu li uma reportagem sobre o Miguel Nicolelis, que é um renomado cientista brasileiro, e sobre sua paixão pelo Palmeiras e, venhamos e convenhamos, vocês dois são ótimos exemplos de pessoas cultas, bem-informadas e apaixonadas por seus clubes de futebol.
Paixão por este ou aquele clube não é o ponto, o que questiono é o sofrimento por uma modalidade que, cá entre nós, não é lá um exmeplo de lisura.
Voltando ao artigo, o problema não é o clube, não é o futebol, muito menos você ou o Nicolelis, mas sim, as pessoas que conduzem os interesses do futebol como negócio.
Mas, respeito e entendo que o amor é cego.
E já que é assim, vamos que vamos.
Abração.
Publicado por freymaciel em dezembro 1, 2011 às 14:31 r r
Legal seu blog.
Publicado por ferlinisalles em dezembro 1, 2011 às 17:53 r r
Muito obrigado pelo comentário e pela visita.