
Parafraseando Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”.
E não conheço nada que seja unânime hoje. Nada. Bom, muito bom, sinal de opiniões divergentes que se expressam em tom democrático.
Mas, unanimidade não deixa de ser extremo, aqueles extremos com os quais não concordo.
Ontem, quarta-feira dia 07 de dezembro de 2011, após denúncia foi encontrado em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, um cão que foi enterrado vivo por seu próprio dono e ficou sob a terra por doze horas. O imbecil que enterrou o cachorro é um extremo. Está lá no Estadão.
Cachorrinho que foi enterrado pouco menos de cinco meses após Anders Behring Breivik cometer atentado que matou 77 pessoas na Noruega. O “militante de extrema-direita” Breivik não é um solitário em suas loucuras, ao que parece ele “recebe cartas de amor, de indivíduos que querem salvá-lo e de gente que o odeia, informou nesta quinta-feira, 8, o canal norueguês TV2″. Outro extremo que também está lá no Estadão.
Mas, são extremos, portanto, analisemos a média.
Segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa, média é o “valor definido como uma grandeza equidistante dos extremos de outras grandezas”.
Beleza, mas, é exatamente aí que reside o problema.
Sendo a média um valor baixo, hão de concordar que o extremo de excelência tem seu patamar reduzido, a não ser que a dispersão ou o desvio padrão sejam altos demais.
Exemplo fácil para quase todo mundo, a qualidade do futebol em geral está em um nível médio muito baixo, mas, Messi e Neymar estão muito distantes desta média, ou seja, o desvio ou a dispersão são altos neste caso. O que isso reflete no esporte? Ora, assistir a um jogo de futebol é em geral uma chatice, a não ser quando Messi ou Neymar estão em campo.
E o Brasil está deixando de ser o País no futebol, ao menos na prática ao contrário do discurso.
A produção científica nacional cresceu muito nos últimos anos, a média cresceu muito em qualidade e não são raros os exemplos de pesquisadores brasileiros fazendo sucesso no exterior, muitas vezes mais sucesso do que fazem no Brasil, afinal, a média de incentivo e de estrutura dos centros de pesquisa nacionais continuam abaixo das médias internacionais.
Na área ambiental nem é preciso ir longe demais para ilustrar a existência de extremos, artistas detonam Belo Monte, estudantes defendem Belo Monte, difícil é saber se, na média, alguns dos dois extremos sabe ao menos onde será instalada a Usina.
O grande enrosco nesta história toda é que a média está baixando, não importa a área.
Talvez seja a superficialidade das informações na Era da Informática, talvez seja a velocidade de informações impossíveis de serem captadas a olhos nus, talvez seja o volume absurdo de informações na Era da Internet impossível de serem vasculhadas a fundo além da superfície com a qual são tratadas, maqueadas e modificadas de um dia para o outro.
O fato é que a “generalização” distancia os extremos, aumenta a dispersão e reduz o valor absoluto das médias.
Difícil?
Pois bem, vamos a mais um exemplo prático.
Em outubro de 2010 escrevi “sobre Tiririca e este mundinho abstrato em que vivemos” e lá eu descrevi algumas características pessoais, dentre elas “meu otimismo nato”, segundo o qual “acredito que a natureza tem seu poder infinito de regeneração, só não sei se teremos espaço nesta natureza regenerada que ora estamos insistentemente tentando aniquilar”.
Lá eu citei uma afirmação de Dora Kramer, de que “há uma diferença entre aqueles cujo negócio é a política e os que transformam a política num bom negócio. Estes é que passaram a dar as cartas” [no Congresso]. Dora se referia à média baixa do Congresso e a Tiririca, aquele que “aluga sua ignorância para espertalhões que se valem da estupidez de milhares que, se achando espertos, são feitos de bobos”.
E eis que meu otimismo é recompensado, Tiririca acaba de elevar a média do Congresso Nacional, prova de que a regeneração natural é possível.
Hoje, quinta-feira, 8 de dezembro de 2011, pela primeira vez desde que tomou posse como deputado federal, cargo para o qual foi eleito com mais de 1 milhão de votos, Tiririca discursou longamente na Câmara em uma audiência pública convocada “por ele para debater a concessão de alvarás a circos”.
Vocês se lembram o que disse o Tiririca na campanha eleitoral?
Aqui ele dizia, dentro outras coisas:
“- O que é que faz um Deputado Federal?
- Na realidade eu não sei.
- Mas vote em mim que eu te conto
- Vote no Tiririca, pior que tá não fica.”
E, segundo a matéria intitulada “Com piadas, Tiririca preside audiência pública pela 1a vez na Câmara“, assinada por Maurício Savarese do UOL, o deputado teria dito em seu pronunciamento ao Congresso: “Eu realmente sei o que um deputado faz. Trabalha muito e produz pouco. O regime da Casa é engessado. Dentro do regime é complicado. Hoje estou dando baile, aprendendo para caramba. Mas foi mais difícil”.
Tiririca aprendeu relativamente rápido o que um deputado faz, contribuiu para reduzir a dispersão e mantém a média em um nível bem baixinho.

Publicado por Vanessa em dezembro 13, 2011 às 16:21 r r
Pra quem não sabe oTiririca e o parlamentar com 100% de assiduidade na Camara.
Nunca faltou a uma comissão De educação e cultura.
Recebe todas as pessoas que visitam o seu gabinete.
Apresentou tres projetos de lei.
Não basta ter diploma se não tiver caráter e boas intenções para fazer o bem.
Fã clube do Tiririca
Publicado por ferlinisalles em dezembro 14, 2011 às 9:48 r r
Prezado(a), muito obrigado por teu comentário.
Eu sei disso, estas atitudes têm feito do Tiririca um parlamentar diferenciado.
E é exatamente aí que está o problema, isto tudo que ele tem feito não é virtude, é obrigação, e se está se destacando “apenas” por cumprir suas obrigações é porque algo está errado.
Você tem toda razão, diploma não forma caráter.
Um abraço e até mais.
Flávio Ferlini Salles
Publicado por Eu em dezembro 8, 2011 às 16:19 r r
Muito bom!!! Digno de se publicar no estadão!!! O q vc esta esperando???
Publicado por ferlinisalles em dezembro 9, 2011 às 18:55 r r
Risos e obrigado.
Um grande abraço.