
fonte: Ferlini Salles Visual
“Enquanto a população mundial parece preparada para crescer dos 7 bilhões de hoje para quase 9 bilhões até 2040 e o número de consumidores de classe média aumentar em 3 bilhões nos próximos 20 anos, a demanda por recursos crescerá exponencialmente.”
A afirmação contida na reportagem da agência Reuters, assinada por Nina Chestney e publicada no UOL em 30 de janeiro de 2012, faz referência ao panorama traçado pelo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), Resilient People, Resilient Planet: A future worth choosing publicado também em 30 de janeiro de 2012.
Diante da amplitude do termo sustentabilidade, as diversas frentes de atuação abordadas pelo relatório da ONU que podem significar uma escolha realmente valiosa para o futuro só se concretizam com educação de qualidade.
Não é preciso divagar demais para justificar esta afirmação, 3 bilhões de pessoas entrando na classe média em 20 anos representam um boom de consumo que faz babar o mais pessimista dos vendedores.
Ora, guardando as devidas medidas de comparação, as negociações para reduzir a emissão de carbono pelos países mais poluidores suscitaram uma discussão interessante, ainda que questionável, por parte dos países emergentes que se negam a pagar a conta presente e futura de um dano que teoricamente teria sido gerado pelos países ricos ao longo de anos de produção e consumo desenfreados. Convença agora emergentes das Classes D, E e F de que seu poder de consumo recém conquistado deve ser moderado para que o Mundo seja sustentável para todos.
Vai lá.
Não há meios democráticos de conscientização social que não passem por educação de qualidade.
E venhamos e convenhamos os BRICS estão longe demais de um patamar minimamente aceitável de educação, o que então dizer de um convívio social saudável?
A discussão é questionável porque todo mundo vai pagar a conta no futuro, daí a obviedade da responsabilidade compartilhada, no entanto, a população carente de educação não sabe planejar o futuro.
Para muitos que sequer têm a certeza de que chegarão ao futuro não progamá-lo chega a ser até justificável, não acham?
O Jornal Nacional, em 30 de janeiro de 2012, mostrou que “mais brasileiro não conseguem pagar prestações de carros em 2011“, e estão lá parte deste 3 bilhões de consumidores que vão engordar a classe média e que “são brasileiros que pela primeira vez conseguiram comprar um carro. E é na falta de informação que mora o perigo. As despesas com um veículo vão muito além da prestação. Há gastos como combustível, IPVA, manutenção, pedágio, seguro. Pode ficar difícil pagar a dívida.”
E vai falar para o sujeito que não usufrui de transporte público decente que o carro que ele está comprando contribui para o aquecimento global, vai.
Ah, cara pálida, quer dizer então que as Classes D, E e F é que são o maior problema?
Não, meu caro, e aí está o verdadeiro enrosco.
Está vendo a foto que ilustra este artigo? Tirei-a na semana passada quando fui ao cinema com meu filho.
Nada, nada coloque aí um ingresso de quinze reais por pessoa, você vai com filho e esposa e são mais trinta, some-se a isto uns vinte reais de pipoca e refrigerantes, estacionamento e estamos falando de uns cinquenta ou sessenta reais para um programa de duas horas. Ah, e no meio da tarde, o que só é possível para quem está de férias, folga ou não trabalha, ou seja, não é um programa que chega a ser trivial.
Pois bem, a foto foi feita no final da sessão, reparem na quantidade de lixo pelo chão e na quantidade de copos de refrigerantes abandonados nos assentos.
Dá para entender onde quero chegar?
Talvez por isso a resiliência do planeta e da população esteja no título do relatório da ONU, porque provavelmente será necessária adaptação às mudanças que não ocorrerão como deveriam.
Que assim seja.
E vamos que vamos.

Publicado por Fabiano Sambattii em janeiro 31, 2012 às 17:46 r r
Adorei! Estava procurando exatamente isso! A questão da resiliencia sempre me chamou a atenção para tudo, seja em acidentes, doenças, catastrofes ou em algo que esta prestes a estourar que é isso que voce citou, a adaptação do planeta às mudanças do excesso de gente que vai usufruir deste.
O lance é quem é mais resiliente? A humanidade porque um dia nem todos vão conseguir ter o carro, ou ir ao cinema simplesmente pela falta de recurso natural.
Ou o planeta?
Essa foi boa! Continue assim!
Publicado por ferlinisalles em fevereiro 1, 2012 às 8:15 r r
Ah, esta é a pergunta que não quer calar.
Quem viver verá.
E vamos que vamos.
Grande abraço.